sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Pobres dos Nossos ricos, Por Mia Couto

alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5375167688931757570" />


A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mas ricos sem riqueza. Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.


Rico é quem possui meios de produção. Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.

Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro. ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.


A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos".

Aquilo que têm, não detêm. Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.


É produto de roubo e de negociatas.

Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram. Vivem na obsessão de poderem ser roubados.


Necessitavam de forças policiais à altura. Mas forças policiais à altura acabariam por lança-los a eles próprios na cadeia.


Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade. Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (....)


Mia Couto

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A problemática da delinquência em Angola

Por: Katya Samuel



Na tarde de sábado, estávamos todos reunidos junto à mesa para almoçarmos. Como sabem, normalmente em Angola os almoços aos fins-de-semana, costumam ser prolongados e, como tal, as refeições são feitas em grandes quantidades, contando sempre com as visitas (primos, tios, vizinhos, e colegas dos pais que já se tornaram tios), e quase sempre trazem alguém consigo.

Daí a razão de cozinharmos em grandes quantidades e do mesmo ser prolongado até às tantas da tarde com algumas músicas a tocar no fundo. Na verdade, tudo aquilo para mim estava a ser maravilhoso e bastante gratificante, porque ainda não tinha completado um mês desde que estou cá.

Nesses almoços conversamos de tudo, mas, por norma, quem preside sempre as conversas são os mais velhos, como eu pertenço ao grupo dos filhos e não dos pais ou dos tios, e como boa filha ,fiquei o tempo todo calada entre aspas…. até que me dessem a palavra.

No almoço, havia pessoas de todos os níveis académicos e sociais, inclusive pessoas que trabalham na área do combate à delinquência. Depois de termos abordado diversos temas, um dos convidados do amigo do meu tio, levantou a questão sobre a delinquência em Angola, porque parece que ele tinha sido assaltado numa cantina dos zairenses que fica junto à estrada de catete ,onde tinha entrado para comprar um maço de cigarro, fardado ( FAA),porque saía do trabalho. Segundo ele, assim que entrou na cantina, não tinha se apercebido, que as pessoas que lá estavam tinham sido sequestradas pelos bandido. Enfim, foi um episódio traumatizante para ele.

Momentos depois, quem teve a palavra foi o convidado do outro tio que estava com o rosto todo vincado e com voz bem alta diante de tanta injustiça. Confesso que também fiquei triste depois de ouvir aquela triste história. Nós estávamos entre o som baixinho da música e o som da conversa sobre a delinquência no quintal. Quando, de repente, ele se levantou e gritou bem alto, dizendo que a solução para acabar com a criminalidade é de o governo mandar matar todos eles!!

Depois de ter visto o meu olhar aterrorizador perante a tal afirmação, passou-me a palavra dizendo-me: Alias ,tu como psicóloga clínica, penso que essa é a tua área, o que tu tens a dizer sobre isso? Bem, querendo ou não tive de falar um pouco sobre o assunto: Antes de mais, iremos definir o conceito de delinquência. Segundo o dicionário de língua portuguesa, a delinquência é ” a qualidade ou estado de delinquente; delito ou cometer um delito ou falta”. Já a Enciclopédia livre Wikipedia, caracteriza a delinquência como comportamento caracterizado por repetidas ofensas delitos), considerando assim, o seu aspecto social e criminoso.


Comecei por dizer que não adiantaria nada matarmos os delinquentes, primeiro por uma questão de direitos humanos e segundo por isso não resolver o problema, pois para o resolvermos, teríamos de partir da raiz dos problemas ou das suas causas. Contudo, penso que seria muito mais fácil, se estudássemos em primeira mão, as causas da delinquência que a meu ver, são sempre as mesma a saber:


a)Causas Sociais Derivadas da Pobreza;
b)Causas psicopatológicas derivada do comportamento;
c)Causas estruturais do crime organizado provocado pela globalização;
d)Causas Institucionais derivada das políticas do governo no poder;

Por último, podemos dizer, que a delinquência afecta negativamente o desenvolvimento económico e social de um país. Deste modo, sou da opinião de que se o governo está a trabalhar para a recosntrução do país, e se queremos ter uma terra onde não haja desigualdades sociais , então , nesta caso,devemos olhar seriamente sobre a questão da delinquência em Angola. Para eliminar este fenómeno, o governo terá de combater as causas ligada ao mesmo.


Continua ……

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

PRODUÇÃO DE LIVROS EM ANGOLA



Já faz muito tempo que não vou a Luanda e como estamos na época do Verão onde a maioria das pessoas encontram-se de férias quis satisfazer a ansiedade que nascia em mim, quando as pessoas me diziam que Angola já não era aquela Angola que eu tinha deixado há 3 anos atrás, porque muita coisa tinha mudado. Diante de tantas novidades, o meu coração disparava de tanta alegria, pois senti imenso orgulho da minha Luanda que está a crescer de vento em pompa. Assim sendo, liguei o meu pc a internet e marquei uma reserva na net viagens e como opção, escolhi a nossa companhia área Tag.

De facto, quando cheguei, gostei do que tenha visto: não há muito lixo nas ruas; alguns passeios com bancos e jardins bem arranjados; em toda esquina há um banco e um multibanco, ou multicaixa.


Vi algumas mudanças a nível da cidade de Luanda, embora não concorde com as construções de edifícios dentro de uma cidade velha, bem, se recuperassem os edifícios antigos, aí talvez eu concordaria, mas enfim…. ... , Na verdade, a minha grande preocupação não estava muito relacionada com as construções ou com as infras- estruturas da cidade, mas sim com as infra-estruturas humanas, pois, sou de opinião, que por mais que nós construamos grandes edifícios, estradas e bancos, penso que tudo isso não terá grande impacto para o desenvolvimento, pois o desenvolvimento deve ser a todos os níveis e, principalmente, a nível de desenvolvimento humano.


Diante desta situação, resolvi dar uma volta pela cidade para comprar jornais para me situar dentro dos acontecimentos do dia. De entre os vários jornais, escolhi apenas três, incluindo o Jornal de Angola. Ao ler os destaques das notícias, os meus olhos fixaram-se na secção da literatura com o seguinte destaque: “John Bela considera baixa a produção anual de livros” que diz: Num universo de 14 milhões de habitantes, havendo apenas o lançamento anual de 30 livros, com tiragem de mil exemplares por cada obra, é uma gota de água no oceano.

Isto demonstra que as instituições estatais e privadas têm de trabalhar mais ,para que se apresentem mais livros e se criem mais incentivos á leitura”


Como é que as editoras vão lançar muitos livros se os angolanos não lêem?
Na verdade, as editoras só lançam livros de acordo com a procura, porque o que se passa é que grande parte da juventude angolana não está preocupada com o conhecimento, mas sim com a música, discoteca, sexo e em acumular o maior número de namorada ou namorados.


Como é que podemos afirmar que estamos a crescer se a nível de recursos humanos estamos mal?
Penso que o Ministérios da Educação e da Cultura, deviam criar programas de incentivo a leitura para poderem reduzir o défice da leitura nos angolanos, criando concursos de literários e em vez de concursos de Mbundas e fazerem publicidades dos livros tal como fazem com as músicas e com as bebidas.
Se assim o fizermos, então aí sim, estaremos a caminhar para a mudança e para o crescimento, pois um pais só cresce quando as pessoas estão preocupadas com o conhecimento .


Bibliografia: Jornal de Angola. Sexta- feira, 31 de Junho de 2009.