quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Pelos Meandros da Prostituição Masculina, em Angola



Por : Katya Samuel

Divido o tempo entre as minhas pesquisas em Psicologia, área da Geronto-psicologia, o curso de Inglês e a preparação do Mestrado. Porém, considero-me uma rapariga normal como as outras; e ainda bem que é assim.
Depois de ler o romance do escritor angolano, Cikakata, intitulado “O Feitiço da Rama de Abóbora” resolvi ir assistir a DSTv, uma vez que as notícias da nossa televisão (TPA) são, para mim, muito previsíveis. Foi quando a minha mãe me incumbiu de ir a casa da vizinha para levar uma metade do bolo de aniversário da minha irmã, como rezam os nossos bons costumes africanos (bantus).

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Pelo caminho, passei por uma dessas cantinas dos Senegalenses, a fim de comprar água mineral, pois estava com muita sede. Ao entrar, vi, à esquerda, três senhoras sentadas numa mesinha. Eram bonitas e estavam muito bem vestidas. Tinham um ar de responsáveis e de quem a vida ia de vento em popa. Aparentavam estar na casa dos 45 ou 49 anos e bebiam umas Coca-Cola.

Falavam bem alto e qualquer pessoa que entrasse, querendo ou não, acabava por as ouvir: “O meu marido vai viajar – disse uma delas - mas desconfio que não irá sozinho; provavelmente, viajará com uma das suas amantes enquanto eu fico aqui a ver navios. Mas parece que não sou a única, em Luanda, a viver o mesmo problema, porque descobri que outras vivem na mesma situação.” O que podemos fazer então? Perguntou a outra. “ Epá – disse a terceira - já que a nossa situação financeira não está assim tão mal, e estamos numa idade em que mais precisamos da atenção do maridos, e se eles não dão e, ainda por cima, arranjam mulheres mais novas que nós, o que temos a fazer é dar volta à situação.
“Dar volta à situação”? perguntou a segunda. “Sim”, respondeu a que estava a falar. “Para começar, não nos vamos separar dos maridos, até porque já temos filhos crescidos e daqui a poucos teremos netos.

Vamos aguentar a situação, arranjando jovens com idades compreendidas entre os 25 e 30 anos, para nos fazerem companhia. Assim, enquanto os nossos maridos viajarem com as suas amantes, esses jovens cobrirão as nossas necessidades emocionais (e não só). Basta, para isso, ajudarmos esses jovens a satisfazerem as suas necessidades materiais. Até tenho uma amiga que nos pode arranjar bons jovens, carne fresca, porque ela tem saído com muitos deles”.
Depois de atendida, voltei para a casa, mas não levei muito a peito aquela conversa. Fui directo ao meu quarto e resolvi trabalhar um pouco na minha pesquisa sobre os idosos.

Qual o meu espanto quando me deparo, num portal, com uma entrevista de Amélia Aguiar, que afirma existir prostituição masculina em Angola! Numa das suas passagens ela diz: “A prostituição masculina também existe. Alguns homens só se relacionam com as mulheres na mira de uma compensação material. Todo mundo sabe disso que as coisas hoje em dia passam assim. Há mulheres que também têm já bastante dinheiro, capazes de manter o seu Pacheco e a prostituição reparte-se nos dois géneros. “
Realmente, ela não deixa de ter razão, porque a prostituição – dizem os entendidos – não passa de uma troca consciente de favores sexuais por interesses não afectivos, ou seja, sentimentais, por prazer ou por factores económicos. Portanto, ela consiste numa troca de favores entre o sexo e bens materiais (dinheiro, ou outros objectos de valores), ou então por favorecimentos profissionais, que pode ser de ambos os géneros.

Torna-se, assim, necessário enxergarmos a realidade, porque, muitas vezes, por arrogância ou por ignorância da nossa parte, somos incapazes de ver o óbvio. Pior ainda numa sociedade machista como a nossa, onde grande parte dos homens, salvo raras excepções, considera as mulheres como objectos e máquinas reprodutoras. Felizmente, a globalização trouxe também coisas positivas, promovendo o espaço da mulher na sociedade e a igualdade entre os géneros.


Um grande psicólogo português, de nome Nogueras Dias, afirma que a família, para além de ser vista como um todo com características próprias que o distinguem dos outros sistemas, é considerada como um sistema de interacções, onde os seus elementos interactuam e influenciam-se uns aos outros. Assim, no dia em que os homens começaram a ficar mais quietos, menos mentirosos, promíscuos e infiéis, reduzir-se-á a prostituição masculina, porque nós, as mulheres, mais que o sexo, precisamos de atenção, carinho. Numa palavra; precisamos de muitos mimos e, na maior parte dos casos, nem isso grande parte dos maridos mwangolé dá .





quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

“Polémica à volta do artigo “Noites Mágicas da cidade de Luanda”, Publicado no site angola24 horas”

Por: Katya Samuel










Recebi uma mensagem do meu primo que está nos U.E.A a estudar, já muito depois de eu ter saído da biblioteca, que fica a poucos metros da minha casa.

Dizia o seguinte: Katya Samuel, vi o teu artigo no Angola24 horas e estou bem orgulhoso de ti, primota. Espero que não ligues os comentários absurdos que lá estão. Confesso que fiquei bastante feliz com as mensagens, porém, quando entrei no site por ele referido para rever o meu artigo, fiquei bastante chocada com alguns comentários. Bem, na verdade não fiquei triste pelo facto das pessoas terem comentado, até porque eu sou amante da democracia e defendo a opinião que as pés-soas devem ter a liberdade de expressar os seus sentimentos sem que ninguém as oprima.

Penso que só com a liberdade de pensamento, é que se pode alcançar o desenvolvimento. No entanto, não me escuso em dizer que fiquei triste com a mentalidade de alguns angolanos que não conseguiram ser menos subjectivos nas suas análises, o que não lhes permitiu ver o verdadeiro lado da questão.


Porque é que as pessoas ficaram (aparentemente) tão chocadas com o meu artigo? Porquê os nomes feios? Será pelo facto das trabalhadoras do sexo aparecerem mais à noite que de dia? Confesso, sinceramente, que não sei por que é que as pessoas ficaram tão chocadas; talvez, quem lá sabe, por eu ter tido a audácia de fazer um retrato social da nossa capital, Luanda.


Muitos diziam que a Katya Samuel não existia e que tudo era ficção; outros diziam que eu era uma Portuguesa residente em Angola, mesmo depois de terem visto a minha fotografia, mas, ainda sim, batiam nessa tecla. Mas porquê ? Bem, isso só me leva a crer que nós os negros somos culpados de tudo o que nos tem acontecido. Por um lado, por não acreditarmos em nós e pensarmos que tudo o que nós, os negros, fizermos não presta; só tem valor aquilo que o branco faz. Por outro lado, somos muito preconceituosos com pessoas da nossa própria cor.


Apesar de ter estudado em Portugal e me ter formado em Psicologia Clínica), isso não faz de mim uma portuguesa e muito menos o facto de ter um namorado branco; isso não faz, repito, de mim nem um prostituta nem alguém melhor que outras angolanas.

No meu artigo, falo apenas da descriminação que muitas moças são vítimas no seu próprio país. Muitas das vezes são, por isso, rotuladas de prostitutas.

Também analiso a diversão nocturna e de como as pessoas, em Luanda, se comportam durante a noite.
Tudo que consta no meu artigo não tem nada de ficção; foi o que eu observei durante a minha saída à noite. Esta polémica toda, fez-me nascer a ideia de um dia escrever um artigo comparativo das noites de Luanda e de algumas cidades da Europa.

Por favor, peço-vos, abram as vossas mentes. O meu texto é, simplesmente, uma crónica social e nada mais, e até porque alguns nomes que lá constam nem sequer são verdadeiros.

Já para terminar, aproveito a ocasião para agradecer aos leitores que fizeram belos comentários. Creio fortemente que Angola irá muito longe não pelo petróleo, mas sim pelo facto de existirem mais pessoas com ideias, mentes abertas como as desses comentadores que tenho a honra de publicar os seus comentários.

"Ty"

Este é o lado cinzento dos angolanos; nao conseguem encaixar a ideia em terem uma mulher mais inteligente que eles; deixa lá a jovem intelectual em paz. E não há razão nenhuma para chamar a moça de puta só porque escreveu uma crónica social. Esse é o problema de grande parte dos homens angolanos;,machistas e cada vez mais burros como esse de FILI (PADO)


"a"

Parbéns a jovem Katya pela coragem em denunciar o racismo que existe em Angola e pela ousadia em falar de si, o que é muito raro nas jovens do nosso país que fazem tudo às escondidas. É dessa coragem que precisamos para percebermos o que se passa,realmente no nosso país, onde tudo parece que anda às mil maravilhas. Agora o facto de ela ter um namorado branco não faz dela diferente de outras jovens,desde,claro, que o relacionamento seja sério. Abaixo o racismo.

"KLP"

Pedimos a direcção do Canal Angola24h , que aplique regras e ordens aos internautas que fazem comentarios neste site sem respeito aos outros.


"Bwanja -Lisboa"

Lamentavelmente é este o cenário que o regime criou em Luanda e no país todo em que as pessoas são discriminadas pelo seu ton de pele. Tudo isto ocorre porque a maior discriminação que assola a maior é a discriminação económico-social devido a má gestão, corrupção, ....... .
Isto constitui uma humilhação às raparigas negras, que por sinal são a maior parte das jovens angolanas e no seu próprio país. O culpado tem uma face, o regime do MPLA.



turnerstephen@aol.com

Lendo este artigo, eu vi um monte de verdade. Eu vivo em Luanda e minha esposa é uma bela mulher negra. Eu sou branca como a neve Eu sou 36, ela é 26. Vivemos juntos no meu apartamento. Seu pai e irmão me conhece muito bem e não há nenhum problema.
A única vez que as coisas vão mal quando saímos juntos, e de ter lido alguns dos comentários feitos fora Eu entendo melhor agora.
Tenho vivido em todos os continentes e sei que um idiota não tem cor, nem prostitutas.
Quando minha esposa é olhada como uma prostituta para mim é mais inveja do que o racismo. um rapaz branco, com uma boa mulher negra.
Todos os angolanos com ciúmes ao vivo o seu próprio viver e não incomodar os outros




Referências bibliográfica


http://www.angola24horas.com/index.php?option=com_content&view=article&id=1542:as-noites-magicas-de-luanda&catid=14:opiniao&Itemid=24

www. Angola24horas.com