quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Turismo Sexual Infantil versus Pedofilia em Angola

Por: Katya Samuel

No dia 27 de Dezembro, saí de Joanesburgo para Luanda. Ao chegar, reparei que o aeroporto estava bonito e em obras para o Campeonato Africano. O meu pai estava à minha espera com um jornal entre os braço, que estava a ler enquanto esperava por mim. Apesar do cansaço, calor, poluição sonora e o tráfego ,mesmo assim, resolvi, no carro, ouvir o noticiário e, ao mesmo tempo, dar uma olhada ao jornal.


Pelas noticias, e não só, notei, com bastante atenção, que o governo e a população, estavam contentes porque ,pela 1ªvez, Angola se realizaria um campeonato muito importante a nível da África. Porém, apesar de existir uma grande preocupação em manter a segurança nacional para os angolanos e para os estrangeiros, a Polícia Nacional, estava muitíssimo preocupada com os turistas sexuais infantis e, como tal, pedia a colaboração da população para denunciar tais actos.
Apesar do governo se preocupar só agora com a segurança das crianças, atitude que já devia ser tomado há bastante tempo, fiquei muito feliz em sabê-lo. Espero que não a olhem só por causa do CAN .


No entanto, vendo bem as coisas, um dos grandes problemas que, nesta matéria, aflige a nossa sociedade, não se restringe apenas ao turismo sexual, mas também e, sobretudo, à pedofilia que, salvo às devidas excepções, é praticada pelos próprios angolanos. Já se tornou moda em Angola: temos vistos senhores mais velhos a namorarem com crianças e adolescente; muitas delas na idade das suas filhas e netas, as chamadas “Cartozinhas”. Sou da opinião que muitas crianças e adolescentes, são vítimas devido à extrema pobreza em que vivem. Muitas delas não tem acesso a uma alimentação saudável , educação e todas elas vivem em casas degradadas, ou seja, em guetos sem acesso à agua potável e luz.

Devido às situações económicas e sociais em que se encontram, são obrigadas a namorarem com pessoas mais velhas e, muitas vezes, em troca de um prato de comida ou uma peça de vestuário.
Não restam dúvidas de que se o governo quiser combater quer o turismo sexual, quer a pedofilia deve olhar seriamente para as suas causas e tratar de as resolver e não olhar apenas para as consequências.

Creio fortemente que se todas as famílias angolanas tivessem condições económicas mínimas, provavelmente estaríamos a resolver um dos problemas sociais que fazem com que elas sejam vítimas dos abusos por partes de senhores mais velhos . Como podemos ver, acho que elas são também vítimas da pobreza, porque se nós atacarmos este fenómeno social, estaríamos a dar um passo gigantesco para resolvermos esta grande questão.


Porque é que o governo não elabora uma lei a proibir senhores a namorem com crianças e adolescentes? Porque é que grande parte das famílias angolanas não têm uma casa condigna com água , luz e bom saneamento básico como as casas de Talatona? Porque é que grande parte das famílias não consegue pagar os estudos dos seus filhos?
Bem, na verdade eu não quero responder a estas perguntas e outra,;deixo-as ao critério dos meus leitores.


Tal como acontece nos outros países desenvolvidos, que existem leis que protegem as crianças desses abusos sexuais , penso que Angola deveria seguir este exemplo, conduzindo os supostos suspeitos de crimes ao tribunal e, por sua vez, para a cadeia, porque quem tem relações sexuais com uma menor é considerado Pedófilo.
Segundo o DSM-IV-TR American Psychiatric Association (Manual de Diagnóstico e Estatístico Das perturbações Mentais) uma actividade sexual com crianças (pedofilia) é uma psicopatologia que está dentro das perturbações Sexuais.


Os sujeitos com pedofilia, habitualmente sentem uma atracão muito forte por crianças . Devemos ter também muita atenção, com as crianças do sexo masculino, porque os abusos sexuais infantis, fazem só referências às vitimas femininas e, frequentemente, as vítimas masculinas não são mencionadas.

Os pedófilos, em alguns casos, sentem também atracão sexual por crianças do sexo masculino
Quero ainda referir, que os abusos sexuais não implicam necessariamente a penetração. O DSM diz-nos que os sujeitos com essas perturbações, podem limitar as suas actividades em despir as crianças e observá-las, exibindo-se eles próprios e masturbando-se na presença da criança ou tocando-lhe ,acariciando-a suavemente.
Para terminar, gostaria de aconselhar a todas pessoas que tem esse tipo de problema, a pedirem ajuda, com urgência, a um profissional, isto é, a um psicólogo clínico; este saberá, por sua vez, como prestar ajuda ao paciente ou ao seu cliente.


Referencia bibliográfica:
American Psychiatric Association. DSM-IV-TR. 4ª edição Texto Revisto. Editores Climepsi