quinta-feira, 23 de julho de 2009

Às Noites Mágicas de Luanda

















O telefone tocou vária vezes por volta das 11 horas da manhã, quando me preparava para ir à faculdade. Normalmente, às sextas-feiras como prenúncio do fim-de-semana, o telefone toca mais do que o normal.
Geralmente, as pessoas amigas ligam mais às sextas-feiras para combinarmos alguma coisa para o fim-de-semana. Nesse dia,  a pessoa  que  estava do outro lado da linha era o Paulo Fernandes, o rapaz  de quem eu gosto muito de nacionalidade portuguesa!
 
Estive ao ponto de lhe dizer que não queria sair de casa, mas quando a noite chegou fiquei deitada na cama, a olhar para o tecto do meu quarto sem fazer nada de especial. Diante de tanto tédio, senti-me incapaz de recusar o convite do Paulo. Ficou combinado que iríamos “cair na noite”, bebermos uns copos em alguns bares, pubs e discotecas de Luanda. Combinei com o Paulo que me fosse apanhar em casa às 23 horas. Eu usava tranças longas até à cintura, pesava não mais que 45 quilos, vestia uma minissaia justa e sapatos de salto altos a condizerem com a mala que eu carregava entre os braços.

Na verdade, não sabíamos ao certo aonde iríamos; o que sabíamos era que, no final de tudo, querendo ou não, acabaríamos sempre por ir à baixa de Luanda.
Luanda, durante a noite, consegue exprimir o seu esplendor, que encanta os luandenses e os estrangeiros com sua majestosa magia, que enfeitiça os seus habitantes. Feliz ou infelizmente, ninguém consegue resistir a este encanto.

É assim a noite na cidade da Kianda: quando a noite chega com a sua beleza, acaba por afogar o que durante o dia não se pode esconder, como a poluição sonora, o lixo, o trânsito e outras coisas mais.
Luanda à noite parece uma grande cidade europeia. Isso, no que diz respeito à diversão nocturna. A falar a verdade, não temos razões de queixa. Resolvemos ir à Baixa de Luanda mais propriamente na Mutamba.
É lá onde existem vários restaurantes, bares, discotecas e pub´s. Logo à entrada da Mutamba, isto é, na paragem dos autocarros junto do Ministério das Finanças, começámos a deparar-nos com moças, algumas bem vestidas, outras nem por isso, na berma da estrada. O quadro era o mesmo mais abaixo para quem vai à Ilha, passando pela nossa linda Chicala, onde estão situados uns dos melhores restaurantes do país.
Ao fazermos a curva, antes de chegarmos ao clube Náutico de Luanda, vimos várias moças a fazerem sinal para os carros parem. Uns paravam de facto, mas outros continuavam, tal como nós, com a sua rota.
Via-se de tudo uma pouco: Moças a exibirem-se às portas dos restaurantes, nos bares de praia e nos pub. Era mais frequentes verem-se moças a saírem com estrangeiros, na sua maioria de raça branca. Na verdade, nem todas as moças que estavam ali com brancos eram profissionais do sexo.

O que mais me impressionou foi o comportamento delas. Talvez pelo facto de ser estudante de psicologia. Em cada esquina, ouviam-se moças a discutirem por causa dos homens que elas diziam ter angariado primeiro. Depararmo-nos com toda esta paisagem, na Chicala, à entrada da ilha, mais concretamente na rotunda onde fica situado o restaurante chinês e uma mini maratona, onde algumas mulheres vendiam pinchos, cervejas e cachorros. Apesar de ser uma zona de elite, este sítio é mais frequentados por pessoas de baixa renda. Depois deste mini passeio, decidimos então irmos ao Palos, um dos Pub mais conceituados da Baixa de Luanda e mais frequentado por estrangeiros.

Logo a entrada, vimos uma grande agitação: moças a caçarem homens, de preferência brancos, meninos de rua (muitos deles bandidos) atrás dos donos de carros para tomarem conta dos mesmos. Era um cenário triste. Infelizmente, o Palos só permite a entrada de mulatas e brancas, impedindo assim a entrada de moças negras, por, segundo as desculpas esfarrapadas dos porteiros, as negras serem confusionistas, o que não abona para o bom nome do estabelecimento. E, como tal, não deixam entrar moças com reputação duvidosa. Será que todas as negras têm reputação duvidosas, ou seja, são prostitutas?

Bem, apesar disso, a verdade foi que conseguimos entrar. Talvez por sorte, ou pelo facto de um dos meus amigos conhecer o dono do tal estabelecimento. Ao entrarmos, à direita estava o barman. Viam-se pessoas de diversas nacionalidades, tal como espanhóis, portugueses, franceses, italianos, americanos e outros.
Uns estavam ali para se divertirem, outros para os engates. As moças angolanas mais extrovertidas conseguiam sempre agarrar alguém. O mesmo sucedia com os homens Os que não conseguiam engatar dentro do Pub, tinham a hipótese de arranjar alguém logo a saída, pois, algumas moças estavam à espera de homens a dois metro de distância da entrada, já que haviam sido proibidas de entrar. Estas, assim que vissem um moço a sair do Pub, corriam logo para ele. Em muito dos casos, os homens caiam por estarem bêbados e elas sabiam aproveitar-se dessa situação.

É este o cenário de quase todos os bares, pub, restaurantes e discotecas da cidade de Luanda. Era como se as pessoas deixassem de acreditar que a vida acabaria mesmo ali e que não haveria mais nenhum amanhã.

Um abraço de luz!

Katya Samuel





quarta-feira, 22 de julho de 2009

Prostituição em Angola


Crítica de Katya Samuel ao Artigo sobre a "Prostituição em Angola".


Este artigo surge como respostas a um artigo publicado pela portal Club-k, sobre a prostituição em Angola, subscrito pelo Dr.ª Encarnação Pimenta.
 
Um dos aspectos que esta defende é o facto da prostituição ter um carácter patológico. Isso significa, por outras palavras, que as prostitutas que pululam pelas ruas de Luanda, em particular, e pelo país, em geral, padecem de distúrbios de comportamento.
 
É claro que nós, embora reconheçamos o contributo que a Drª Encarnação Pimenta, como psicóloga, possa dar à discussão de um tema tão importante, gostaríamos de dizer que não concordamos, na totalidade, com ela, pelas seguintes razões: em primeiro lugar, devido ao facto de os distúrbios de comportamento associados ao sexo, estarem bem hierarquizados e catalogados pelo DSM-IV. De entre estes, podemos apontar as várias parafilias.
Note-se que as parafilias são caracterizadas por anseios, fantasias ou comportamentos sexuais recorrentes e intensos que envolvem objectos, actividades ou situações incomuns e causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
Como parafilias podemos referir o exibicionismo (exposição dos genitais), fetichismo (uso de objectos inanimados), frotteurismo (tocar e esfregar-se em uma pessoa sem o seu consentimento), pedofilia (foco em crianças pré-púberes), masoquismo sexual (ser humilhado ou sofrer), sadismo sexual (infligir humilhação ou sofrimento), fetichismo transvéstico (vestir-se com roupas do sexo oposto) e o voyeurismo (observar actividades sexuais).
Como se pode ver, a prostituição não é aqui referida, o que, no entanto, não quer dizer que uma prostituta ou um prostituto não possam sofrer de uma determinada parafilia. Em segundo lugar, e sempre em defesa do nosso argumento, a prostituição é hoje encarada, aliás isso não é novo, como a mais velha profissão do mundo, onde a mulher, ou o homem, disponibilizam os órgãos sexuais a troco de dinheiro.
 
Existem, inclusivamente, países como a Holanda onde a prostituição tem um destaque especial, uma vez que a mesma está organizada segundo regras definidas pelo próprio Estado, cabendo, inclusivamente, as prostitutas o pagamento do imposto e efectuarem descontos na Segurança Social.
 
Para o caso de Angola, mais importante que encarar as prostitutas como pessoas com distúrbios de comportamento, é necessário olhar para elas como vítimas da pobreza e do desemprego, salvaguardando-se, claro, as devidas excepções.
E, assim se, de um lado, se deveriam encetar medidas para a legalização da prostituição em Angola, do outro, deveriam avançar-se com outras medidas de carácter educativo, e sócio-profissional, criando um maior número de empregos por forma a evitar que mais jovens se embrenhem nesta profissão, que é sempre mal vista pela sociedade.


Bibliografia: American Psychiatric Association . (2000). Manual de Diagnóstico e Estatístico das Pertubações Mentais. Lisboa: Climepsi Editores.



















segunda-feira, 20 de julho de 2009

“Nasceu negro e morreu branco”




Diário:
está é a imagem que eu sempre tive dele, a de um negro e não a de um branco, porque de branco ele nunca teve nada…..

Michael Jackson foi um afro-americano que começou a cantar aos 5 anos de idade, liderando o grupo constituído pelos seus irmãos “ Jackson five”, mas foi aos 11 anos que começou a sua carreira a solo, o que o levou mais tarde ao título de rei da pop. O seu contributo para o desenvolvimento da música pop foi imenso, desde o estilo às técnicas de danças que, ao meu ver, o glorificaram como uma estrela. Eu nunca fui lá muito fã do Michael Jackson, só de saber que era um negro, que nunca teve infância, e que viveu numa América onde os negros eram maltratados e que, por sua vez, conseguiu promover a comunidade negra afro-americana com o seu talento musical. A minha atenção especial por ele foi devida ao facto de que à medida que o tempo ia passando, a sua cor ia mudando devido às inúmeras cirurgias plástica a que foi submetido.
Tudo isso foi um grande choque para a comunidade negra e não só. Bem, na verdade, não adianta narrar muito sobre a vida desta grande estrela, pois julgo que provavelmente não teríamos muito tempo para tal, pois a vida dele provavelmente daria espaço para muitos livros.
Ontem estava com o televisor ligado, sentada à mesa, na cozinha da minha casa, diante do meu PC a fazer algumas pesquisas sobre Angola, quando a noticia sobre a morte de “Michel Jakson” me caiu de repente. Confesso que fiquei com o rosto prostrado diante do ecrã durante quase 20 minutos até conseguir digerir bem a noticia. Momentos depois, lembrei-me dos seus sucessos na década dos anos 80. Apesar de, nesta época, eu ainda ser uma criança , , mesmo assim, lembrei-me vagamente dos tempos em que o meu querido pai punha os discos de Michael Jackson nos almoços de fins-de-semana. Foram bons tempos, pois quando faço uma regressão à minha infância, supostamente, terei de me deparar com o som da musica deste cantor no quintal da casa do meu querido avô. onde o rádio ficava por cima da janela, fazendo com que o som se propagasse, como um eco, por todo quintal, levando a que todos ouvíssemos as músicas, inclusive os vizinhos.