domingo, 17 de janeiro de 2016

O meu casamento e divórcio com Barack Obama

Estava no ano 2007 numa tarde de inverno muito tenso, húmido e com muito nevoeiro. O clima parecia combinar com o meu humor, pois estava triste e sem ânimo para nada, mesmo assim, tentei minimizar o efeito do clima na solidão. Fui à Fnac do Fórum Almada tomar um café e ver as últimas novidades de livros e de documentários em CD. Ao entrar para o estabelecimento comercial, isto é na Fnac, deparei-me logo a entrada com um livro de cor castanha e com a foto de um homem negro muito bem afeiçoado que parecia um príncipe elegantíssimo! Os meus olhos ficaram a marejados de lágrimas de alegria e dei um sorriso muito doce quando vi o livro que tinha o seguinte título: The Audacity of Hope de Barack Obama. Fiz deste livro o meu objecto pessoal e desfolhei-o sem parar,pois,estava muito entusiasmada por ele se ter tornado no primeiro negro Senador dos E.U.A e, por ter a grande audácia de se candidatar a presidência da República. Deste modo, pela primeira vez, a história dos Estados Unidos da América, teria um presidente negro.
 Estava tão orgulhosa porque, de uma forma ou de outra, me sentia representada pelo facto de ele ser um afro-americano. Por outro lado, via inconscientemente a possibilidade de provar ao mundo, de que os negros também podem e, quem sabe acabariam os estereótipos de que somos sempre alvos.
            Bem, na verdade, também cheguei a pensar como o meu continente, África, se orgulharia de ver um dos seus filhos a brilhar por este mundo fora.
            Como esta cega de paixão, não raciocinava e só pensa na campanha de Obama: tinha as fotos e camisolas com o nome dele, onde eu me intitulava de obama-girl. Achava as propostas de mudanças da campanha dele ótimas, enfim estava muito motivada com as ideias dele! Todavia, a nossa relação foi perfeitíssima, enquanto durou.
 Durante a sua campanha, Obama, tal como todos os candidatos, fez uma série de promessas e, dentre elas, o fecho da prisão de Guantánamo.
Após o primeiro mandato, o meu casamento com Obama começa a desmoronar, dando mesmo lugar ao  divórcio pelos seguintes aspectos: Em primeiro lugar, porque já conseguia analisar o príncipe que virou sapo de uma forma menos racional. Em segundo lugar, o facto de ele não estar a cumprir com o que tinha prometido. Uma das questões mais pertinentes que eu estava interessada por uma razão humanitária, era o fecho da prisão de Guantánamo. Os meses passaram e deram lugar aos anos e infelizmente até hoje ele não conseguiu encerrar Guantánamo, tal como tinha prometido na sua primeira campanha.

            No que diz respeito ao segundo mandato, a mascara do cordeirinho caiu e mostrando assim, a sua verdadeira face. Conseguiu mostrar aos americanos a “mudança e esperança “que iria levar a Casa branca- withehouse, como dizia na sua campanha!
 Com efeito, começou por apresentar duas armas mortais para o povo americano e quiçá para o mundo. A primeira é o projecto sobre a reforma de saúde Obamacare que entrou em vigor no dia 23 de Março de 2013 que tem como Objectivo implantar chips em seres humanos. (…..)                                                                
 A segunda arma é a lei marcial que estava em discussão no ano passado, mas  tudo indica que ela foi aprovada nos finais de Janeiro deste ano, 2014. Neste caso, podemos afirmar então, que estamos no princípio do fim e, aconselho-vos a se preparem para uma grande batalha. Mas para tal, penso que seja importantíssimo definirmos o conceito lei marcial.
É a suspensão dos direitos básicos do cidadão, como o ato de ir e vir, principalmente a de se reunir, de manifestar sua opinião e de ser preso sem nenhum fundamento judicial. Ela entra entra em vigor em situações excecionais, como na preparação de um regime totalitário ou ainda em reação a uma catástrofe natural.
            Quer com isto dizer, que o governo americano suspenderá a constituição e o poder judicial estará nas mãos dos militares. Por outras palavras, todas pessoas que quiserem lutar pelos seus direitos, e não só, terão a vida em perigo porque o presidente e os militares munir-se-ão do  poder de matar quem quiser e prender por tempo indeterminado uma pessoa sem direito a um advogado e sem julgamento. Para implantação da tal lei,  já construíram vários campos de concentração iguais aos da segunda guerra mundial. É isto mesmo: estamos em guerra e, por enquanto, ela é apenas psicológica.xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Um artigo da Associated Press no mês de fevereiro confirmou a compra de U$ 1,6 bilhão em armas e munições por parte do Departamento de Segurança Interna. De acordo com um artigo publicado na Forbes,” essa quantidade é suficiente para sustentar uma guerra do tamanho da guerra do Iraque por um período de vinte anos”.
            Outro artigo da BBC News, poblicado no dia 21 de setembro de 2013, baseado na autobiografia explosiva “Power Trip”, de Damian McBride, o marqueteiro do Brown, afirma que o primeiro ministro está preocupado que a lei e a ordem poderiam desmoronar durante a crise financeira. McBride cita Brown”
Por consequência, podes suspeitar que o Departamento de segurança Interna dos E.U.A está a preparar uma operação militar massiva e secreta e, o pior é que o povo americano está a dormir.
Na verdade, se o governo americano conseguir obrigar o cumprimento da lei marcial no seu território, então o regime totalitário, escuro e sóbrio estender-se-á por todo mundo.
 Katya Samuel
 
 
 
 
 
 
 
 
 


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Aprovação da nova lei de união de facto ajudará a melhorar a qualidade de vida das famílias angolanas



                                                             

                                   




É  o retrato de que a nossa sociedade está preocupada com os problemas referentes às famílias angolanas. É uma mudança de paradigma de como viviam até aqui muitos casais ou famílias sem  a proteção do Estado.
 A união de facto é uma forma de família reconhecida pela lei angolana, igual ao casamento, ou seja, possui todos os direitos que um casamento normal celebrado  na conservatória. O que resta ainda é clarificar   melhorar esta  norma para que muitos cônjuges possam , assim, recorrer a ela sem grandes problemas burocráticos.
Apesar de nãos ser um casamento, esperemos que com essa lei não  se dê menos importância ao matrimónio tradicional, contudo, este deve ser um passo para se chegar ao casamento, pois, em certos casos, muitos casais deixam de se esforçar para manter uma relação saudável por não se tratar de um casamento “real”. Assim, esperamos que, com este código juridico , muitos casais  não se acomodem e, não deixem de realizar o casamento formal.
  Embora a provação desta  lei seja um pequeno passo para se resolver algumas preocupações jurídicas,ainda sim, fará toda diferença no bem-estar de muitas famílias e da sociedade em geral. As famílias estarão mais estruturadas e, por conseguinte, haverá maior cumprimento de algumas tarefas básicas no processo do ciclo vital das famílias. Os papéis de cada elementos: pai, mãe e filhos, estariam a ser exercidos de forma mais clara, diminuindo, assim, o aparecimento de alguns problemas de fórum psicológico durante do desenvolvimento das crianças. Nesse caso, temos de ver que os maiores beneficiários serão os filhos, porque estes constituem os elementos mais importantes de uma família, e, consequentemente, de uma sociedade. Havendo está funcionalidade por parte dos pais no que diz respeito  a obrigação de dar um   nome ao filho,  a preocupação com as necessidades materiais, espirituais e psicológicas, contribuirá para  o equilíbrio mental da sociedade angolana, pois, estes serão o futuro do amanhã.  E, em situação de separação ou morte do marido, onde a família deste reclamam a herança, a esposa e  os filhos  ficarão protegidos por lei e herdarão todos os bens materiais constituídos  ao longo do ciclo  vital familiar.
 

Referência:

Consultado em:
 http://www.angonoticias.com/Artigos/item/45154/aprovada-regulamentacao-do-instituto-de-uniao-de-facto  no  dia 27 de Dezembro ás  23 horas  e visualizado   a  28    de Dezembro de 2014.



(por Katya Samuel)

 



 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

As Tuas Escolhas







 
 
Parte do que tens, e és, é, em certa medida, resultado das escolhas que fazes. Se os teus dias brilham, é sinal de que foste feliz nas tuas escolhas; se os teus dias são cinzentos, é porque nem sempre foste feliz nas tuas escolhas.

 As escolhas que fazes dependem, obviamente, do contexto em que vives, dos amigos que tens, da cultura que te identifica e dos teus interesses do momento.
És livre par...a fazeres qualquer escolha, mas não te esqueças das consequências das escolhas erradas. Deves acertas nas tuas escolhas: na roupa que vestes, nos pratos que comes, no curso que segues, nos amigos que tens e, sobretudo, no amor em que te engajaste ou em que pensas te engajar. Para este caso, a escolha é um acto de abrir portas.
 
Exceptuando aqueles a quem não podes escolher (pais, irmãos e filhos), o resto depende apenas de ti: se for por uma questão de “química”, lembra-te que esta é ácida e, se for por uma paixão cega, lembra-te que as rosas, por mais lindas que sejam,têm os espinhos salientes.
 
Então escolhe pelas razões mais profundas e convincentes: se o fizeres apenas por um objecto; a tua escolha frustrar-te-á quando este desaparecer; se for apenas pela beleza, também frustrar-te-ás, porque esta desaparece com o tempo; se for apenas pela paixão, também te frustrarás, pois esta apagar-se-á tão logo a chama se extinga. Lembra-te sempre que partilhar a vida com alguém que nunca viste, ou conheceste, é o maior desafio que se põe a um ser humano. Evita, por isso, que o teu futuro seja um mar de amargura pelas escolhas que fazes.
Escolhe para o teu projecto de vida alguém que te realiza, te completa, que dá sentido à tua existência, que cresce contigo e que caminhe a teu lado. Mas para isso, tens de vencer um grande adversário que és tu próprio.
 
 
Ekuikui Simões

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Desejo Festas Felizes para Todos os Angolanos e não só...



                                                               
                                    


Natal:

O Natal tem um grande significado, não só religioso como também familiar. Só que as pessoas, hoje em dia, tendem a esquecer o verdadeiro significado e importância desta data.
O natal virou um comércio, as pessoas preocupam-se com os presentes e reclamam terem gasto acima do habitual. Ao invés de doar amor, os presentes se tornaram obrigatórios e junto a eles uma camada bastante considerável de hipocrisia se integra nas reuniões familiares.
 
Todos os anos são sempre iguais, as pessoas reúnem-se com a família e com alguns parentes tão distantes que é somente nesta época em que se encontram. São poucos os que devem saber o verdadeiro e mais profundo significado do Natal.
 
A maioria está mais preocupada em vestir roupa nova, beber até cair, sair como loucos pelo trânsito, causando muitos dos acidentes que se intensificam neste período e esquecem de pelo menos parar por um minuto para pensar nesse dia, na importância da família e da necessidade de aproveitar-se esse dia para a reconciliação familiar,E o que eu desejo hoje aqui, é que façamos uma auto-análise e tentemos pensar um pouco sobre o verdadeiro significado do natal.

Desejo muita paz, amor, saúde e muita perseverança para que todos possam seguir os seus respectivos objectivo

domingo, 8 de julho de 2012

Saudades da minha adolescência





Volvidos quase 2 anos que eu não sinto a brisa e o calor de uma praia tropical
É maravilhoso. Só de falar sobre o assunto sinto-me como se estivesse lá.Quando fecho os olhos sinto o cheiro do mar e o barulho das ondas como se estivessem a sussurrar aos meus ouvidos, dizendo que estão a morrer de saudades minhas. Sim, confesso que eu também estou doida para agarrá-las aos meus braços e mesmo sem saber nadar mergulharei o mais fundo que poder. Pois, penso que me libertarei das minhas angústias e irei em busca dos sonhos perdidos no meu inconsciente. Sim, tenho saudades das festas da kianda na ilha de Luanda. Saudades dos meus tempos de adolescência e dos meus amigos. Sim, quando penso os meus olhos ficam a marejados de lágrimas com saudades dos tempos que lá se foram. Eram bons. Não nos preocupávamos com nada a não ser com a escola, é claro!!!!
Todos os domingos íamos à praia, pois o tempo todo é Verão. Com os amigos, brincávamos a beira-mar com a bola, e de vez em quando, corríamos nas rochas em busca de flores que crescem junto a praia. Neste momento sinto-me invadida por sentimentos de saudades dos almoços dos sábados, que tinham horas para começar, mas sem horas para terminar. Normalmente, realizam-se aos fins-de-semana, pois é o dia em que as pessoas têm mais tempo. Ele incluía a família nuclear e a família alargada (amigos, vizinhos, amigos dos amigos, amigos dos vizinhos, conhecidos dos amigos dos amigos, amigos de infância, colegas de escola, colegas dos pais…etc)
Enfim… falar de família no contexto africano é muito complexo, pois trata-se uma cultura coletivista e não individualista. Nesse tempo eu pesava não mais de 43 kilos. Tinha o rosto meigo   com as feições muito finas e com tranças longas até a cintura. E com um olhar alegre que chegava e irradiar um sala inteira, pois com o meu sorriso consegui conquistar as pessoas com bastante facilidade. Eu era mais negra do que sou agora. Fazia muita praia e o sol debruçava no meu corpo realçando assim a negritude da minha cor de chocolate Magno” Humumumu….deve ser bom.  De facto é bom olharmos no passado para podermos compreender o futuro.   Bem, meu querido diário, por agora é tudo,Ok? Penso voltar mais aqui alguns tempos para falarmos sobre o calor dos tempos que lá vão.

Por: Katya Samuel

 
 

 

 

quinta-feira, 1 de março de 2012

Vacina contra o vírus do “amor”





Anda por aí a ideia, já arraigada em nós desde tempos milenares, de que a felicidade desta vida reside no amor. Refiro-me ao amor erótico e sexual e não ao amor filial e fraterno. A partir daí foi criado todo um cenário que, por mais incrível que pareça, chega a atingir às raias do paradoxal.
Quando se é jovem, ou mesmo adulto, e não se tem alguém; ou se teve; ou se está em vias de ter, nasce a impressão de se estar a viver numa grande solidão. Tal situação é sintetizada em frases como estas: "sem ti não posso viver", "só tu podes acabar com a minha solidão" "a minha felicidade está nos teus braços", "prefiro morrer a viver sem ti" e outras, já de mais conhecidas por todos nós. Perrault, um exímio escritor francês da literatura infantil, reflecte, a nosso ver, esta situação em Cinderela.








A história é conhecida por todos nós: Cinderela, uma moça desprezada pela mãe e pelas irmãs, acaba, graças à extrema pequenez de seu pé, por fazer com que um príncipe encantador se enamore por ela. O famoso sapatinho da Cinderela assume-se hoje, no imaginário feminino, como a esperança eterna em se encontrar o parceiro ideal, mais comummente designado por alma gémea. Para elas, isso agrava-se porque, como se vê, os homens de facto, começaram a escassear no "mercado" Assim, uma jovem sem namorado, espera paciente pelo seu Príncipe Encantado; uma mulher casada, desiludida com o marido sonha, entre um abraço repelido e um beijo ácido, em desfazer a relação para encontrar, talvez um dia, o seu Príncipe Encantado. Uma jovem abandonada pelo namorado, carpe a sua dor com a esperança de que o seu Príncipe Encantado, caso apareça, lhe enxugue as lágrimas, fazendo-a esquecer do causador da sua dor.

Com o andar do tempo, vamo-nos apercebendo de que os Príncipes Encantados e as Cinderelas, não existem, a não ser nas nossas cabecinhas de sonhadores. É que, a cada dia que passa, deparamo-nos mais com desencantos que com encantos. Pior ainda num momento em que a sexualidade deixou, para muita gente, de ser um acto de comunicação; de partilha de emoções, de sentimentos, de realização humana e espiritual entre dois seres, passando a resumir-se a simples actos de erecção, ejaculação e orgasmo, o que tem descambado para as piores frustrações e desilusões. Bem, isso para não falarmos dos riscos a que nos expomos com o "mel que mata":o grande flagelo dos nossos tempos (VIH-Sida)
Na verdade, a dificuldade do homem em realizar-se no amor (dados os preconceitos sexuais), é o que o faz viver constantemente insatisfeito consigo próprio, atando e reatando relações aqui e ali, sem se aperceber que um eterno apaixonado é um eterno sofredor. Bem, vendo as coisas por um outro prisma, podemos inferir também que somos, em parte, prisioneiros dos nossos próprios instintos. Por vezes, a falta de uma forte disciplina interior faz com que sejamos servos dos mesmos. No instinto está também implícita a necessidade biológica da sobrevivência da espécie o que, como se pode ver, complica mais a questão.

Entretanto, hoje é por de mais sabido que os filhos nem sempre são fruto do amor. São, isso sim, mais fruto de uma "imposição" social e cultural que propriamente do grau da estima que existe entre os parceiros. Isso para não falar daquela dimensão psicológica, apontada por Kauffman, para quem os filhos são a "finta da vida". A vida fintou-nos, e todos caímos com uma pinta, porque a existência é incompatível com o vazio. Assim, quanto mais lutarmos para o bem-estar dos filhos, mais atenuamos as nossas crises existenciais e, sobretudo, o pavor da ideia de virmos a morrer um dia. Quem lá sabe se a crença (embora ilusória) da nossa "imortalidade" reside também na procriação?
Vistas assim as coisas nada mais nos resta senão a insatisfação constante, o ciúme, as paixões sucessivas, aliadas à espera incessante e improvável de uma Cinderela ou de um Príncipe Encantado. Ou seja, vivemos todos naquilo a que Kundera chamou de "insustentável leveza do ser".

E quando me refiro a isso, vem-me à cabeça aquilo a que os filósofos chamam de felicidade negativa; uma espécie de Nirvana que, para o nosso caso, se apresentaria como apagamento total do apelo irresistível à luxúria, à limitação da sobrevalorização do coito heterossexual e, sobretudo, o olhar para reprodução como finalidade única do amor. E como seriam as coisas assim? Talvez deixaríamos de sonhar, em excesso, com os príncipes encantados e com as Cinderelas; talvez canalizaríamos esta energia para a criação de obras de mérito ao invés de vivermos obcecados com o amor erótico. Daí a necessidade de uma vacina contra esses vírus do "amor". E, quem lá sabe se, assim, sentimentos como o ciúme e a volúpia deixariam pura e simplesmente de existir. Ficaria apenas por responder a questão do que fazer da poderosa indústria sexual.
E se assim fosse talvez teríamos, no mundo, o amor in real sense.

Escritor e Professor Universitário
Aníbal Simões

sábado, 4 de fevereiro de 2012

As novas tendências alimentares





Antes de abordar o problema das novas tendências alimentares, importa, para todos tenhamos o mesmo entendimento sobre o que estamos a discutir, definir o que se entende por alimentação. A noção de alimentação aparece nas obras de vários autores e todos eles convergem num aspecto, ou seja, na concepção da alimentação como um acto voluntário e consciente e na ideia de que é através da alimentação que o ser humano obtém produtos para o seu consumo e que ela é totalmente dependente da vontade do indivíduo.


Outra noção igualmente importante, e que se acha relacionada com a primeira, é a noção de alimentação saudável, que consiste, segundo vários autores, na alimentação ou nutrição de comer bem e de forma equilibrada para que as pessoas, como adultas, mantenham o peso ideal e, no caso das crianças, desenvolvam-se bem e intelectualmente, dependendo do hábito alimentar.
No que diz respeito à temática em análise, gostaria, para definir as novas tendências alimentares, apoiar-me nos critérios das indústrias alimentares. Para essas indústrias, as novas tendências alimentares, assentam nos seguintes aspectos:

a) Sensibilidade e prazer


A sensibilidade e prazer manifesta-se através da capacidade que os consumidores têm para terem acesso aos produtos de preço alto. De modo que, pessoas com maioria sensibilidade e prazer alimentar são geralmente pessoas de alta renda. As tendências desta categoria estão ligadas ao aumento do nível de educação, informação e renda da população, entre outros factores.

b)Saudabilidade e bem-estar

Este aspecto tem muito a ver com o envelhecimento da população a consciência que a sociedade foi adquirindo sobre a relação entre as dietas e as doenças. Assim, o problema do excesso de peso e a obesidade nas populações de vários países estimula os produtos para dietas, alimentos com redução ou eliminação de substâncias calóricas. É por isso que nas novas tendências alimentares, encontramos os segmentos diet e light, cujo objectivo é queimar calorias e saciar o apetite. Nos países desenvolvidos, consolida-se o consumo de alimentos orgânicos, com a eliminação de aditivos químicos.

C)Conveniência e praticidade

Esta nova tendência é motivada principalmente pelo ritmo de vida dos grandes centros urbanos, tais tendências apontam um aumento da demanda por refeições prontas e produtos em pequenas porções, embalados em porções individuais, adequados para comer no trânsito ou em diferentes lugares ou situações. Daí os vegetais, iogurtes, sucos enlatados e etc.

d)Confiabilidade e Qualidade

Nas novas tendências alimentares, a posição do consumidor é activa, ou seja, já não é passiva. Assim, nesta nova tendência deparamo-nos com consumidores mais conscientes e informados e exigem produtos seguros e de qualidade e origem atestadas, com boas praticas de fabricação e controle de riscos. Nessa direcção têm sido valorizadas características que são intrínsecas aos produtos, tais como a rastreabilidade e a garantia de origem, os certificados de sistemas de gestão de qualidade e segurança, a rotulagem informativa e outras formas de comunicação que as empresas possam utilizar para demonstrar os atributos dos seus produtos.


e)Sustentabilidade e ética


O último aspecto que também reflecte as novas tendências alimentares tem a ver com a sustentabilidade ambiental, primando-se, assim, por produtos com uma menor dose de carbono, baixo impacto ambiental, não estar associado a maus-tratos aos animais, ter rotulagem ambiental, ter embalagens recicláveis e recicladas etc.
Assim, como conclusão pode dizer-se que verifica-se nos dia de hoje importantes mudanças no comportamento dos consumidores, reflectidas pela indústria de alimentos nos novos ingredientes, processos e embalagens que integrarão um produto com diferenciais competitivos em relação aos demais.
Pegando nestes aspectos todos e relacioná-los com o nosso contexto angolano, importa referir que se torna cada vez mais importante combater a pobreza para que toda a população tenha acesso aos produtos sensíveis e de prazer. Do outro lado, torna-se importante sensibilizar a sociedade para a relação que existe entre a dieta e a doença de modo a eles puderem regular o seu comportamento alimentar, tendo como ponto de partida, os produtos produzidos pelas novas indústrias alimentares.
Por último, nessas novas tendências alimentares é necessário que haja cada vez mais um maior controlo e fiscalização dos produtos que entram no nosso mercado. Referimo-nos a necessidade de os consumidores angolanos serem cada vez mais activos e críticos em relação ao que consomem.

 Katya Samuel