domingo, 19 de dezembro de 2010

Desejo Festas Felizes para Todos os Angolanos e não só...




Natal

O Natal tem um grande significado, não só religioso como também familiar. Só que as pessoas, hoje em dia, tendem a esquecer o verdadeiro significado e importância desta data.
O natal virou um comércio, as pessoas preocupam-se com os presentes e reclamam terem gasto acima do habitual. Ao invés de doar amor, os presentes se tornaram obrigatórios e junto a eles uma camada bastante considerável de hipocrisia se integra nas reuniões familiares.


Todos os anos são sempre iguais, as pessoas reúnem-se com a família e com alguns parentes tão distantes que é somente nesta época em que se encontram. São poucos os que devem saber o verdadeiro e mais profundo significado do Natal.


A maioria está mais preocupada em vestir roupa nova, beber até cair, sair como loucos pelo trânsito, causando muitos dos acidentes que se intensificam neste período e esquecem de pelo menos parar por um minuto para pensar nesse dia, na importância da família e da necessidade de aproveitar-se esse dia para a reconciliação familiar,E o que eu desejo hoje aqui, é que façamos uma auto-análise e tentemos pensar um pouco sobre o verdadeiro significado do natal.



Desejo muita paz, amor, saúde e muita perseverança para que todos possam seguir os seus respectivos objectivo

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Dispor das mulheres, depois de elas terem ido embora

















A notícia caiu-me como uma bomba, tal como para todos os angolanos, quando eu estava em Portugal. Uma vez que a internet, em Angola, é muito lenta e, como na tuga é mais rápida, resolvi ficar mais tempo na internet para fazer algumas pesquisas de psicologia, e não só. Enquanto lia os e-mails, o meu colega que está a fazer o doutoramento em Psicologia Educacional pela Universidade do Minho, acabava de entrar em online. Momentos depois, enviava-me um link para o meu message com uma mensagem pedindo desculpas pelo link, porque as imagens eram chocantes . “Espero, que olhes para estas imagens como uma investigadora social e não como uma pessoa normal”- disse. Assim sendo, não me pude conter diante de tanta curiosidade Passado dois minutos, resolvi, então, abrir o misterioso link.

Ao ver o vídeo, fiz rapidamente a elaboração, porque eu já estava preparada psicologicamente para tal. Como me haviam me pedido, olhei para o vídeo numa abordagem mais científica e não do senso comum. Isso quer dizer, que olhei para as imagens como uma psicóloga.

As imagens falavam por si: era o Almir Algria, o apresentador do programa “Jovem Mania” . Este programa é dedicado a juventude Angola, e aborda questões que afectam os jovens angolanos como: o HIV , desemprego e entre outros temas.
Almir era uma imagem de referência para a juventude angolana , e tinha, por isso, que manter uma conduta digna de exemplo. Derrubou a sua própria imagem e, por conseguinte, perdeu a sua própria dignidade. Em relação à rapariga, penso que ser-lhe-á mais difícil recuperar a dignidade, visto que, no nosso contexto cultural, as mulheres são mais submissas, ou seja, vivemos numa sociedade machista. Isso não quer dizer que esteja a defender esta jovem, até porque a aconselho a procurar um psicólogo clínico para um tratamento. Não vou centrar-me muito nela, mas sim, no Almir devido ao compromisso social, não formal, que ele tinha com os jovens angolanos. Atendo a este aspecto, gostaria que prestassem mais atenção as minhas hipóteses diagnósticas:



Análise psicológica do caso Almir

Bem, relativamente ao Almir, na respectiva de Freud, o homem que filma o seu acto sexual, se revê nas imagens e sente um prazer sexual, é uma pessoa Narcisista. Antes de analisarmos esta tendência, o narcisismo, vamos, para o entendermos melhor, falar do complexo de Edipo.

Segundo Freud, o complexo de Édipo, não é um instinto sexual mas um complexo onde o amor ocupa o primeiro plano. Os sentimentos sensuais ou corporais são recalcados, ou guardados. O rapaz apaixona-se pela mãe (e a menina pelo pai) e, por ciúme, detesta o pai. Deseja, por sua vez, possuir a mãe só para si, desejando ausência do pai. E muitas vezes, exprime esses sentimentos em voz alta, prometendo casar com a mãe. Quando uma criança não consegue realizar o complexo de Édipo, a criança toma o seu próprio corpo como objecto de amor: é isto a que Freud designa por narcisismo, o que é uma perversão, que se relaciona com o auto-erotismo da própria sexualidade.

Na perspectiva do DSM-IV-TR (Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais), se este indivíduo fosse uma pessoa normal, faria sexo sem filmar, mas como filmou estamos diante de uma perversão, porque, na ausência da mulher com quem ele fez sexo, ele masturbar-se numa atitude que se encaixa perfeitamente na revivência do acontecimento (flashback), tendo uma satisfação sexual sem nenhuma penetração nos órgãos genitais feminino, tal como sucede em todas as perversões. Assim, para o Almir nada mais resta senão fazer uma consulta a um psicólogo clínico ou a um psicoterapeuta desde que, claro, ele se consciencialize que a sua atitude se enquadra numa perturbação sexual.

Despeço-me com muita paz

Katya Samuel

domingo, 5 de dezembro de 2010

Segredo nas Crianças




Segredo nas Crianças


Para começar, acho necessário definir a noção de segredo. De acordo com vários dicionários, segredo é o que está escondido; o que se oculta
à vista, ao conhecimento dos outros; o que é secreto e que a ninguém deve ser dito. Mas também, dum modo mais complexo, pode definir-se por segredo como algo muito difícil e que exige uma inciação especial (arte ou ciência) para o desvendar.
Falando propriamente dos segredos das crianças, posso começar por dizer que os segredos têm muitas vantagens, porque no próprio desenvolvimento da criança é importante elas terem a noção do segredo. É que, existe uma relação entre a noção de segredo e a tomada de consciência de si como um sujeito dotado de uma vida interior (subjectiva).

E isso, não há dúvida, ajuda a criança a construir a sua intimidade (sua vida íntima) que se baseia num conjunto de normas morais que garantem a sua não- violação. Não é por acaso que os grandes segredos se aprendem, ao fim e ao cabo, com a escola e a sociedade e até uns aparecem nos contos infantis. Por outras palavras, isso significa que a noção de segredo não é inata. É adquirida pela educação, pela experiência, ou seja, é um efeito da socialização.


À medida que vão crescendo as crianças desenvolvem a capacidade de perceber o que se pode ou não contar aos outros e quais são as consequências das suas revelações. Também ganham a percepção da cumplicidade e do valor de uma confidência.
Mas para que essa relação com os segredos evolua de uma forma saudável, é importante que elas percebam que há bons e maus segredos. E que se programar uma surpresa pode ser divertido, esconder algo que os perturba pode tornar-se um fardo pernicioso.

Os segredos bons
Quando uma criança revela um segredo bom, não acontece nada de especial», dizem alguns estudiosos da vida das crianças.

Os segredos bons são saudáveis e têm a ver com confiança com as cumplicidades ou confidências. No entanto, as crianças não sabem discernir o que é contável do que não é contável. Contam o que vêem, o que ouvem aos pais. Quando desvendam alguma intimidade não têm a mínima noção de que podem estar a magoar alguém com a sua inconfidência. Só na terceira infância, entre os seis e os nove anos, começam a perceber que há coisas que não devem contar, dizem os psicólogos das crianças


Os segredos maus

Se há segredos bons, também há segredos maus e essas são as desvantagens dos segredos. Tem-se dito que os segredos maus são como a comida estragada, fazem-nos mal e têm que ser vomitados. Mesmo que haja alguém que insista para não o fazermos.

Para terminar, gostaria de dizer que, por todo o mundo ,passam pelos consultórios dos psicoterapeutas muitas crianças com segredos difíceis de confessar. Há crianças abusadas que são chantageadas e ameaçadas para não contarem «o segredo». «Os miúdos não conseguem guardar os segredos bons, que fazem deles heróis. Mas silenciam aquilo que os faz sentir mais vulneráveis, que os vitimiza». E, para esses casos é necessário ensinar as crianças a revelaram esses segredos, embora maus. É que, no caso de abuso sexual, é importante que as crianças revelem os segredos para se identificar o agressor e, essa é uma das grandes vantagens que as crianças têm em contarem os segredos maus.



Antes de mais, queria dizer que é com muito prazer que estou aqui na rádio Nacional, para discutir um tema tão importante que é sobre o “segredo nas crianças”.
Para começar, acho necessário definir a noção de segredo. De acordo com vários dicionários, segredo é o que está escondido; o que se oculta à vista, ao conhecimento dos outros; o que é secreto e que a ninguém deve ser dito. Mas também, dum modo mais complexo, pode definir-se por segredo como algo muito difícil e que exige uma inciação especial (arte ou ciência) para o desvendar.
Falando propriamente dos segredos das crianças, posso começar por dizer que os segredos têm muitas vantagens, porque no próprio desenvolvimento da criança é importante elas terem a noção do segredo. É que, existe uma relação entre a noção de segredo e a tomada de consciência de si como um sujeito dotado de uma vida interior (subjectiva). E isso, não há dúvida, ajuda a criança a construir a sua intimidade (sua vida íntima) que se baseia num conjunto de normas morais que garantem a sua não- violação. Não é por acaso que os grandes segredos se aprendem, ao fim e ao cabo, com a escola e a sociedade e até uns aparecem nos contos infantis. Por outras palavras, isso significa que a noção de segredo não é inata. É adquirida pela educação, pela experiência, ou seja, é um efeito da socialização. À medida que vão crescendo as crianças desenvolvem a capacidade de perceber o que se pode ou não contar aos outros e quais são as consequências das suas revelações. Também ganham a percepção da cumplicidade e do valor de uma confidência.
Mas para que essa relação com os segredos evolua de uma forma saudável, é importante que elas percebam que há bons e maus segredos. E que se programar uma surpresa pode ser divertido, esconder algo que os perturba pode tornar-se um fardo pernicioso.
Os segredos bons
Quando uma criança revela um segredo bom, não acontece nada de especial», dizem alguns estudiosos da vida das crianças. Os segredos bons são saudáveis e têm a ver com confiança com as cumplicidades ou confidências. No entanto, as crianças não sabem discernir o que é contável do que não é contável. Contam o que vêem, o que ouvem aos pais. Quando desvendam alguma intimidade não têm a mínima noção de que podem estar a magoar alguém com a sua inconfidência. Só na terceira infância, entre os seis e os nove anos, começam a perceber que há coisas que não devem contar, dizem os psicólogos das crianças

Os segredos maus
Se há segredos bons, também há segredos maus e essas são as desvantagens dos segredos. Tem-se dito que os segredos maus são como a comida estragada, fazem-nos mal e têm que ser vomitados. Mesmo que haja alguém que insista para não o fazermos.
Para terminar, gostaria de dizer que, por todo o mundo ,passam pelos consultórios dos psicoterapeutas muitas crianças com segredos difíceis de confessar. Há crianças abusadas que são chantageadas e ameaçadas para não contarem «o segredo». «Os miúdos não conseguem guardar os segredos bons, que fazem deles heróis. Mas silenciam aquilo que os faz sentir mais vulneráveis, que os vitimiza». E, para esses casos é necessário ensinar as crianças a revelaram esses segredos, embora maus. É que, no caso de abuso sexual, é importante que as crianças revelem os segredos para se identificar o agressor e, essa é uma das grandes vantagens que as crianças têm em contarem os segredos maus.

 Katya Samuel

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Às Noites Mágicas de Luanda( II parte)


Não fazia um mês desde que estava em Luanda. Tudo para mim era quase novidade. Há 20 dias, eu estava na casa da minha mãe “pequena”, como mandam as nossas tradições africanas (irmã mais nova da nossa mãe é também nossa mãe). Fui visitá-la para passar alguns dias com ela.

Depois de ter cumprido a minha agenda do dia, dirigi-me ao quarto para descansar, ou seja, dormir mesmo porque estava muito cansada. Não foi preciso fazer muito esforço que o sono apareceu logo de imediato. Passada uma hora, porque eu deitei-me às 7 da tarde, ouvi o telefone a vibrar e, minutos depois, tocou! Quem ligava era a minha amiga Anne, que está fazer o doutoramento em Psicologia na Universidade do Minho, Portugal. Como sempre, ela falava com bastante entusiasmo, mas sentiu que eu acabava de sair do sono. De seguida, fez a seguinte pergunta: Então, Katy, hoje é sexta-feira e já estás a dormir? Mas tu és jovem, por que não sais com os teus amigos? Aproveita a vida! Tão perspicaz, apercebeu-se logo que eu estava morta de sono e despediu-se de mim. Enviei-lhe um abraço de Luz, como sempre, ainda com os olhos semicerrados.


Momentos depois, o móvel voltou a tocar, mas, desta vez, não era a Anne, mas sim, o paulo Fernandes,  a pessoa de quem eu tanto gosto, branco de origem Portuguêsa. Faço questão de frisar isso, porque, para não ser mal interpretada e acusada de intolerante, não tenho nada contra a raça branca, amarela ou mista ……, até por sinal, mantenho uma ralação intercultural. Ele perguntou-me se eu não queria sair com ele para o Chill Out. Eu disse que não; que queria ficar em casa a descansar. Insistiu, mas infelizmente foi em vão. Deitei-me novamente para ver se sono voltava. Mexia-me de um lado para o outro e com os olhos bem fixos nas quatro paredes do quarto. Mas os minutos iam passando e o sono nada. De súbito, vieram-me, sorrateiramente, à memória as palavras doces de Anne. Mas como a magia pairava no ar e, como eu sou uma pessoa de muita sorte, o móvel voltou a tocar. Era, de novo, o meu amigo a dizer-me que ele já estava no Chill Out com uns amigos e se eu quisesse sair de casa mandaria o motorista. Assim sendo, diante desses acontecimentos, senti-me obrigada a dizer-lhe, que sim, aceito! Agora, o problema estava no que iria vestir, pois eu só tinha comigo roupas de trabalho e desportivas e alguns sapatos que estavam na mala que tinha trazido da Bélgica há 9 meses! Calcei-os, pus um fato cor vermelha, bem actual de estilo macacão. Em cima, era um tomara bem justinho na cintura e com umas fitas vermelhas que quando amarrasse, realçavam muito bem a minha cintura e os meus peitos, na parte superior, que pareciam dois maboques.

Usava cabelos cumpridos caídos até as costas e bem ondulados. A roupa e os sapatos combinavam com os meus lábios pintados em vermelhos que jogavam com o contraste da minha pele negra, que parecia um chocolate puro e os olhos semi-rasgados. Quem me conhece sabe que tenho um corpo magro, um rosto de adolescente, ar delicado, mas quando estou diante de uma conversa, as pessoas apercebem-se que apesar da aparência, sou uma pessoa madura. Simples e bonita como estava, sentia-me como se fosse a Gata Borralheira! O motorista estava lá fora à minha espera! Dirigimo-nos, como de hábito, para o coração da cidade de Luanda!
A cidade estava bastante agitada, mais que o habitual, talvez isso se devesse ao facto do aumento demográfico da cidade!


As sextas-feiras, como prenúncio de fim-de-semana, os luandenses dormem mais tarde! Verifiquei isso na fronteira entre o Bairro Azul e a Samba! À berma da estrada havia muitas Roulottes que vendiam tudo, desde cachorros quentes até bebidas. Luanda, a noite, brilha tanto que quase não se nota o lixo e a poeira que se sente durante o dia. Quanto ao lixo, tenho que admitir, que tem vindo a diminuir!

Já na entrada da Ilha, Chicala, apercebi-me que havia novas construções como hotéis e restaurantes e outros a serem reabilitados. Apesar de Luanda ser considerada uma das cidades mais cara do mundo, mas mesmo assim, quando o fim-de-semana bate à porta, ninguém consegue ficar indiferente, incluindo os estrangeiros que não resistem a magia desta cidade!
Depois de termos passado o Clube Náutico, que estava muito cheio, o Jango Veleiro chegámos ao salão de festa que fica na rotunda para quem deixa o Jango Veleiro: ouvia-se música, pessoas que saíam de carros, provocando engarrafamento; as moças atrapalhadas nos seus engates pareciam abstrair-se desse caos!

Depois de termos deixado a estrada do Hotel Panorama, que agora está em reabilitação, continuámos sempre em frente! Ultrapassávamos os bares de praia, à minha esquerda o Tamariz. Ao olhar para ele, com tanta gente a querer entrar para se divertir, vieram-me a memória os tempos em que eu fazia praia aos domingos e quando ficava à espera da boleia do meu pai, para nos deixar em casa! Os meus olhos ficaram marejados de lágrimas ao pensar nos tempos que já se foram; momentos esses guardo-os no peito com muitas saudades. Que bom seria se pudesse revivê-los !

Era a primeira vez que tinha estado na Ilha, desde que tinha chegado a Luanda! Deixando o Tamariz, à minha esquerda, vi que a floresta de Luanda estava mudada e vedada com uns murros bem altos. Depois de termos visto tumultos à entrada das discotecas, bares e restaurantes, chegámos, finalmente ao nosso destino: Chill Out! Ao chegarmos, custava-me imaginar que estávamos lá, pois, em tempos passados, este era um bar restaurante de praia, com nome de Surf. Fiquei admirada, porque o que tinha deixado já não existia, apenas o vestígio do próprio espaço ocupado por um belo Bar de nome Chill Out! Porém, depois de termos estacionado o carro, tal como havia combinado ao telefone, o meu namorado, saiu do Bar para me fazer entrar. Senti-me tal qual uma princesa!

À entrada do estabelecimento, pude ver que era bem moderno. Os seguranças estavam muito bem apresentados! Certamente, pensei eu: este sítio deve ser bem diferente do Palos e de outros bares, onde complicavam as pessoas por tudo e por nada! Soube que o local era gerido por um branco, não me foi muito difícil aperceber-me deste pormenor. Isso tem a ver com o facto de ser Psicóloga e uma das ferramentas de trabalho dos psicólogos é a observação!


Achei o bar muito bem estruturado e com uma qualidade de serviços invejável. Talvez isso se deva ao facto de ser era um local de preferência da classe estrangeira e da elite angolana! Quando procurava de onde via o som, deparei, sem querer, com o DJ. Também branco, bem, tudo isso é normal, mas veio, ao fim e ao cabo, provar as minhas suspeitas quanto à gerência do estabelecimento.

Este local é frequentado pela elite angolana. À minha esquerda, vi uma mulher, quase branca, no limiar da juventude e da fase adulta. Ao fixá-la bem, notei que era a filha da Saudosa “Mamã Coragem”, ou seja, Vitória de Anália Pereira. Está senhora, que estava acompanhada por um grupo de brancos, fora vice-ministra da Educação. Parecia mais que estávamos na Europa do que propriamente em África! Digo isso, porque se viam muitos brancos e mulatos e poucos negros. Havia 4 grupos no bar: Negras, digo isso porque quase não se viam homens negros, grupos dos brancos, esses é que eram a maioria, as mulatas e, por fim, os chineses!

Eu sentia-me à vontade mesmo com os olhares de muitos presentes concentrados em mim. O grupo das negras era o mais acanhado, talvez por ser o grupo minoritário ou, por outro lado, porque estava a tentar limpar a imagem da mulher angolana, rotulada, pelos estrangeiros, de interesseiras, aldrabonas e trambiqueiras.
As mulatas sentiam-se donas da situação e achavam-se as mais bonitas do que as negras e, para não variar, estavam sempre atrás dos engates, mas quando as negras o faziam eram logo rotuladas. Os brancos, depois de uma semana intensa de trabalho, apenas queriam divertir-se e, quem lá sabe, conseguir um bom engate no final da noite.
Os Chineses, estes ao contrário do que tivera visto na França e em Madrid, faziam um esforço para se adaptarem à cultura e à moda angolana. Bem, até as chinesas nas discotecas já iam ao engates e, pelos vistos, atacavam todos: brancos, negros e mulatos, como diz o velho ditado: tudo que cai na rede é peixe!

No princípio, as pessoas estavam bem comportadas, mas, porém, lá para o fim da noite, pareciam mais agitadas. Todos queriam engatar a todo o custo. Momentos depois, vi umas chinesas, no bar que fica a entrada da porta, com os seus negros angolanos, com um bom aspecto. Até eu, imaginem, que estava muito bem acompanhada, não escapei dos olhares tendenciosos de alguns brancos. O facto é que a agitação começa sempre no final da noite. E por fim, conseguem engatar. Os que não conseguem ou, os que dominam pouco as técnicas de engate, apenas o conseguem com ajuda de um plano B.

Tudo isso faz parte da magia que a Kianda consegue transmitir com bastante força a todos os habitantes da cidade de Luanda. Daí que muitos estrangeiros e mesmo angolanos, façam esse percurso todos os fins-de-semana: Caminham a pé, viajam de carro, rumo ao Postal do País, cuja magia e beleza, muda por completo as nossas vidas, afectando, por sua vez, a vida das pessoas que pertencem a nossa comunidade. Assim, querendo ou não, sentem-se obrigados a vivenciarem esta magia que paira nas noites de Luanda, que nos obriga, a cada dia que saímos a noite, a sonhar com um futuro melhor em todo as esferas das nossas vidas.

Deixo-vos com um abraço de luz

Katya Samuel





quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Turismo Sexual Infantil versus Pedofilia em Angola

Por: Katya Samuel

No dia 27 de Dezembro, saí de Joanesburgo para Luanda. Ao chegar, reparei que o aeroporto estava bonito e em obras para o Campeonato Africano. O meu pai estava à minha espera com um jornal entre os braço, que estava a ler enquanto esperava por mim. Apesar do cansaço, calor, poluição sonora e o tráfego ,mesmo assim, resolvi, no carro, ouvir o noticiário e, ao mesmo tempo, dar uma olhada ao jornal.


Pelas noticias, e não só, notei, com bastante atenção, que o governo e a população, estavam contentes porque ,pela 1ªvez, Angola se realizaria um campeonato muito importante a nível da África. Porém, apesar de existir uma grande preocupação em manter a segurança nacional para os angolanos e para os estrangeiros, a Polícia Nacional, estava muitíssimo preocupada com os turistas sexuais infantis e, como tal, pedia a colaboração da população para denunciar tais actos.
Apesar do governo se preocupar só agora com a segurança das crianças, atitude que já devia ser tomado há bastante tempo, fiquei muito feliz em sabê-lo. Espero que não a olhem só por causa do CAN .


No entanto, vendo bem as coisas, um dos grandes problemas que, nesta matéria, aflige a nossa sociedade, não se restringe apenas ao turismo sexual, mas também e, sobretudo, à pedofilia que, salvo às devidas excepções, é praticada pelos próprios angolanos. Já se tornou moda em Angola: temos vistos senhores mais velhos a namorarem com crianças e adolescente; muitas delas na idade das suas filhas e netas, as chamadas “Cartozinhas”. Sou da opinião que muitas crianças e adolescentes, são vítimas devido à extrema pobreza em que vivem. Muitas delas não tem acesso a uma alimentação saudável , educação e todas elas vivem em casas degradadas, ou seja, em guetos sem acesso à agua potável e luz.

Devido às situações económicas e sociais em que se encontram, são obrigadas a namorarem com pessoas mais velhas e, muitas vezes, em troca de um prato de comida ou uma peça de vestuário.
Não restam dúvidas de que se o governo quiser combater quer o turismo sexual, quer a pedofilia deve olhar seriamente para as suas causas e tratar de as resolver e não olhar apenas para as consequências.

Creio fortemente que se todas as famílias angolanas tivessem condições económicas mínimas, provavelmente estaríamos a resolver um dos problemas sociais que fazem com que elas sejam vítimas dos abusos por partes de senhores mais velhos . Como podemos ver, acho que elas são também vítimas da pobreza, porque se nós atacarmos este fenómeno social, estaríamos a dar um passo gigantesco para resolvermos esta grande questão.


Porque é que o governo não elabora uma lei a proibir senhores a namorem com crianças e adolescentes? Porque é que grande parte das famílias angolanas não têm uma casa condigna com água , luz e bom saneamento básico como as casas de Talatona? Porque é que grande parte das famílias não consegue pagar os estudos dos seus filhos?
Bem, na verdade eu não quero responder a estas perguntas e outra,;deixo-as ao critério dos meus leitores.


Tal como acontece nos outros países desenvolvidos, que existem leis que protegem as crianças desses abusos sexuais , penso que Angola deveria seguir este exemplo, conduzindo os supostos suspeitos de crimes ao tribunal e, por sua vez, para a cadeia, porque quem tem relações sexuais com uma menor é considerado Pedófilo.
Segundo o DSM-IV-TR American Psychiatric Association (Manual de Diagnóstico e Estatístico Das perturbações Mentais) uma actividade sexual com crianças (pedofilia) é uma psicopatologia que está dentro das perturbações Sexuais.


Os sujeitos com pedofilia, habitualmente sentem uma atracão muito forte por crianças . Devemos ter também muita atenção, com as crianças do sexo masculino, porque os abusos sexuais infantis, fazem só referências às vitimas femininas e, frequentemente, as vítimas masculinas não são mencionadas.

Os pedófilos, em alguns casos, sentem também atracão sexual por crianças do sexo masculino
Quero ainda referir, que os abusos sexuais não implicam necessariamente a penetração. O DSM diz-nos que os sujeitos com essas perturbações, podem limitar as suas actividades em despir as crianças e observá-las, exibindo-se eles próprios e masturbando-se na presença da criança ou tocando-lhe ,acariciando-a suavemente.
Para terminar, gostaria de aconselhar a todas pessoas que tem esse tipo de problema, a pedirem ajuda, com urgência, a um profissional, isto é, a um psicólogo clínico; este saberá, por sua vez, como prestar ajuda ao paciente ou ao seu cliente.


Referencia bibliográfica:
American Psychiatric Association. DSM-IV-TR. 4ª edição Texto Revisto. Editores Climepsi