domingo, 8 de julho de 2012

Saudades da minha adolescência





Volvidos quase 2 anos que eu não sinto a brisa e o calor de uma praia tropical
É maravilhoso. Só de falar sobre o assunto sinto-me como se estivesse lá.Quando fecho os olhos sinto o cheiro do mar e o barulho das ondas como se estivessem a sussurrar aos meus ouvidos, dizendo que estão a morrer de saudades minhas. Sim, confesso que eu também estou doida para agarrá-las aos meus braços e mesmo sem saber nadar mergulharei o mais fundo que poder. Pois, penso que me libertarei das minhas angústias e irei em busca dos sonhos perdidos no meu inconsciente. Sim, tenho saudades das festas da kianda na ilha de Luanda. Saudades dos meus tempos de adolescência e dos meus amigos. Sim, quando penso os meus olhos ficam a marejados de lágrimas com saudades dos tempos que lá se foram. Eram bons. Não nos preocupávamos com nada a não ser com a escola, é claro!!!!
Todos os domingos íamos à praia, pois o tempo todo é Verão. Com os amigos, brincávamos a beira-mar com a bola, e de vez em quando, corríamos nas rochas em busca de flores que crescem junto a praia. Neste momento sinto-me invadida por sentimentos de saudades dos almoços dos sábados, que tinham horas para começar, mas sem horas para terminar. Normalmente, realizam-se aos fins-de-semana, pois é o dia em que as pessoas têm mais tempo. Ele incluía a família nuclear e a família alargada (amigos, vizinhos, amigos dos amigos, amigos dos vizinhos, conhecidos dos amigos dos amigos, amigos de infância, colegas de escola, colegas dos pais…etc)
Enfim… falar de família no contexto africano é muito complexo, pois trata-se uma cultura coletivista e não individualista. Nesse tempo eu pesava não mais de 43 kilos. Tinha o rosto meigo   com as feições muito finas e com tranças longas até a cintura. E com um olhar alegre que chegava e irradiar um sala inteira, pois com o meu sorriso consegui conquistar as pessoas com bastante facilidade. Eu era mais negra do que sou agora. Fazia muita praia e o sol debruçava no meu corpo realçando assim a negritude da minha cor de chocolate Magno” Humumumu….deve ser bom.  De facto é bom olharmos no passado para podermos compreender o futuro.   Bem, meu querido diário, por agora é tudo,Ok? Penso voltar mais aqui alguns tempos para falarmos sobre o calor dos tempos que lá vão.

Por: Katya Samuel

 
 

 

 

quinta-feira, 1 de março de 2012

Vacina contra o vírus do “amor”





Anda por aí a ideia, já arraigada em nós desde tempos milenares, de que a felicidade desta vida reside no amor. Refiro-me ao amor erótico e sexual e não ao amor filial e fraterno. A partir daí foi criado todo um cenário que, por mais incrível que pareça, chega a atingir às raias do paradoxal.
Quando se é jovem, ou mesmo adulto, e não se tem alguém; ou se teve; ou se está em vias de ter, nasce a impressão de se estar a viver numa grande solidão. Tal situação é sintetizada em frases como estas: "sem ti não posso viver", "só tu podes acabar com a minha solidão" "a minha felicidade está nos teus braços", "prefiro morrer a viver sem ti" e outras, já de mais conhecidas por todos nós. Perrault, um exímio escritor francês da literatura infantil, reflecte, a nosso ver, esta situação em Cinderela.








A história é conhecida por todos nós: Cinderela, uma moça desprezada pela mãe e pelas irmãs, acaba, graças à extrema pequenez de seu pé, por fazer com que um príncipe encantador se enamore por ela. O famoso sapatinho da Cinderela assume-se hoje, no imaginário feminino, como a esperança eterna em se encontrar o parceiro ideal, mais comummente designado por alma gémea. Para elas, isso agrava-se porque, como se vê, os homens de facto, começaram a escassear no "mercado" Assim, uma jovem sem namorado, espera paciente pelo seu Príncipe Encantado; uma mulher casada, desiludida com o marido sonha, entre um abraço repelido e um beijo ácido, em desfazer a relação para encontrar, talvez um dia, o seu Príncipe Encantado. Uma jovem abandonada pelo namorado, carpe a sua dor com a esperança de que o seu Príncipe Encantado, caso apareça, lhe enxugue as lágrimas, fazendo-a esquecer do causador da sua dor.

Com o andar do tempo, vamo-nos apercebendo de que os Príncipes Encantados e as Cinderelas, não existem, a não ser nas nossas cabecinhas de sonhadores. É que, a cada dia que passa, deparamo-nos mais com desencantos que com encantos. Pior ainda num momento em que a sexualidade deixou, para muita gente, de ser um acto de comunicação; de partilha de emoções, de sentimentos, de realização humana e espiritual entre dois seres, passando a resumir-se a simples actos de erecção, ejaculação e orgasmo, o que tem descambado para as piores frustrações e desilusões. Bem, isso para não falarmos dos riscos a que nos expomos com o "mel que mata":o grande flagelo dos nossos tempos (VIH-Sida)
Na verdade, a dificuldade do homem em realizar-se no amor (dados os preconceitos sexuais), é o que o faz viver constantemente insatisfeito consigo próprio, atando e reatando relações aqui e ali, sem se aperceber que um eterno apaixonado é um eterno sofredor. Bem, vendo as coisas por um outro prisma, podemos inferir também que somos, em parte, prisioneiros dos nossos próprios instintos. Por vezes, a falta de uma forte disciplina interior faz com que sejamos servos dos mesmos. No instinto está também implícita a necessidade biológica da sobrevivência da espécie o que, como se pode ver, complica mais a questão.

Entretanto, hoje é por de mais sabido que os filhos nem sempre são fruto do amor. São, isso sim, mais fruto de uma "imposição" social e cultural que propriamente do grau da estima que existe entre os parceiros. Isso para não falar daquela dimensão psicológica, apontada por Kauffman, para quem os filhos são a "finta da vida". A vida fintou-nos, e todos caímos com uma pinta, porque a existência é incompatível com o vazio. Assim, quanto mais lutarmos para o bem-estar dos filhos, mais atenuamos as nossas crises existenciais e, sobretudo, o pavor da ideia de virmos a morrer um dia. Quem lá sabe se a crença (embora ilusória) da nossa "imortalidade" reside também na procriação?
Vistas assim as coisas nada mais nos resta senão a insatisfação constante, o ciúme, as paixões sucessivas, aliadas à espera incessante e improvável de uma Cinderela ou de um Príncipe Encantado. Ou seja, vivemos todos naquilo a que Kundera chamou de "insustentável leveza do ser".

E quando me refiro a isso, vem-me à cabeça aquilo a que os filósofos chamam de felicidade negativa; uma espécie de Nirvana que, para o nosso caso, se apresentaria como apagamento total do apelo irresistível à luxúria, à limitação da sobrevalorização do coito heterossexual e, sobretudo, o olhar para reprodução como finalidade única do amor. E como seriam as coisas assim? Talvez deixaríamos de sonhar, em excesso, com os príncipes encantados e com as Cinderelas; talvez canalizaríamos esta energia para a criação de obras de mérito ao invés de vivermos obcecados com o amor erótico. Daí a necessidade de uma vacina contra esses vírus do "amor". E, quem lá sabe se, assim, sentimentos como o ciúme e a volúpia deixariam pura e simplesmente de existir. Ficaria apenas por responder a questão do que fazer da poderosa indústria sexual.
E se assim fosse talvez teríamos, no mundo, o amor in real sense.

Escritor e Professor Universitário
Aníbal Simões

sábado, 4 de fevereiro de 2012

As novas tendências alimentares





Antes de abordar o problema das novas tendências alimentares, importa, para todos tenhamos o mesmo entendimento sobre o que estamos a discutir, definir o que se entende por alimentação. A noção de alimentação aparece nas obras de vários autores e todos eles convergem num aspecto, ou seja, na concepção da alimentação como um acto voluntário e consciente e na ideia de que é através da alimentação que o ser humano obtém produtos para o seu consumo e que ela é totalmente dependente da vontade do indivíduo.


Outra noção igualmente importante, e que se acha relacionada com a primeira, é a noção de alimentação saudável, que consiste, segundo vários autores, na alimentação ou nutrição de comer bem e de forma equilibrada para que as pessoas, como adultas, mantenham o peso ideal e, no caso das crianças, desenvolvam-se bem e intelectualmente, dependendo do hábito alimentar.
No que diz respeito à temática em análise, gostaria, para definir as novas tendências alimentares, apoiar-me nos critérios das indústrias alimentares. Para essas indústrias, as novas tendências alimentares, assentam nos seguintes aspectos:

a) Sensibilidade e prazer


A sensibilidade e prazer manifesta-se através da capacidade que os consumidores têm para terem acesso aos produtos de preço alto. De modo que, pessoas com maioria sensibilidade e prazer alimentar são geralmente pessoas de alta renda. As tendências desta categoria estão ligadas ao aumento do nível de educação, informação e renda da população, entre outros factores.

b)Saudabilidade e bem-estar

Este aspecto tem muito a ver com o envelhecimento da população a consciência que a sociedade foi adquirindo sobre a relação entre as dietas e as doenças. Assim, o problema do excesso de peso e a obesidade nas populações de vários países estimula os produtos para dietas, alimentos com redução ou eliminação de substâncias calóricas. É por isso que nas novas tendências alimentares, encontramos os segmentos diet e light, cujo objectivo é queimar calorias e saciar o apetite. Nos países desenvolvidos, consolida-se o consumo de alimentos orgânicos, com a eliminação de aditivos químicos.

C)Conveniência e praticidade

Esta nova tendência é motivada principalmente pelo ritmo de vida dos grandes centros urbanos, tais tendências apontam um aumento da demanda por refeições prontas e produtos em pequenas porções, embalados em porções individuais, adequados para comer no trânsito ou em diferentes lugares ou situações. Daí os vegetais, iogurtes, sucos enlatados e etc.

d)Confiabilidade e Qualidade

Nas novas tendências alimentares, a posição do consumidor é activa, ou seja, já não é passiva. Assim, nesta nova tendência deparamo-nos com consumidores mais conscientes e informados e exigem produtos seguros e de qualidade e origem atestadas, com boas praticas de fabricação e controle de riscos. Nessa direcção têm sido valorizadas características que são intrínsecas aos produtos, tais como a rastreabilidade e a garantia de origem, os certificados de sistemas de gestão de qualidade e segurança, a rotulagem informativa e outras formas de comunicação que as empresas possam utilizar para demonstrar os atributos dos seus produtos.


e)Sustentabilidade e ética


O último aspecto que também reflecte as novas tendências alimentares tem a ver com a sustentabilidade ambiental, primando-se, assim, por produtos com uma menor dose de carbono, baixo impacto ambiental, não estar associado a maus-tratos aos animais, ter rotulagem ambiental, ter embalagens recicláveis e recicladas etc.
Assim, como conclusão pode dizer-se que verifica-se nos dia de hoje importantes mudanças no comportamento dos consumidores, reflectidas pela indústria de alimentos nos novos ingredientes, processos e embalagens que integrarão um produto com diferenciais competitivos em relação aos demais.
Pegando nestes aspectos todos e relacioná-los com o nosso contexto angolano, importa referir que se torna cada vez mais importante combater a pobreza para que toda a população tenha acesso aos produtos sensíveis e de prazer. Do outro lado, torna-se importante sensibilizar a sociedade para a relação que existe entre a dieta e a doença de modo a eles puderem regular o seu comportamento alimentar, tendo como ponto de partida, os produtos produzidos pelas novas indústrias alimentares.
Por último, nessas novas tendências alimentares é necessário que haja cada vez mais um maior controlo e fiscalização dos produtos que entram no nosso mercado. Referimo-nos a necessidade de os consumidores angolanos serem cada vez mais activos e críticos em relação ao que consomem.

 Katya Samuel