terça-feira, 19 de julho de 2011

A influência da televisão na formação da personalidade da criança



Para abordar este tema, gostaria de começar por dizer que ele é muito difícil e teria mais consistência se nós, em Angola, tivéssemos alguns estudos sobre a influência da televisão na personalidade das crianças.

Como não há ,e para que não entre especulações vou apenas referir-me a alguns estudiosos que reflectiram sobre esta questão e tirar as devida ilações.
Para começar importa dizer que é impossível negar que nos dias actuais a televisão predomina na grande maioria dos lugares onde o homem vive.

Os fenómenos que a televisão vem a produzir no comportamento do ser humano durante a convivência de ambos são bastante significativos.
Tais fenómenos têm início a partir da primeira fase de vida do indivíduo que é a infância desde a mais tenra idade. As crianças em sua maioria já possuem acesso a televisão, onde muitas vezes não são respeitados os limites de seus conteúdos.

Barry afirma que “não existe hoje nenhuma outra força que influencie
tão poderosamente o comportamento quanto à televisão. Observa-se na citação do autor a afirmativa de que a maior parte da aprendizagem da criança sobre o mundo e sobre os valores é a televisão em detrimento da escola e da própria família, uma vez que a tendência das famílias modernas onde os pais trabalham fora de casa é deixar cada vez mais suas crianças à frente da televisão uma vez que não desfrutam de tempo necessário para estar adequadamente cuidando dos filhos.

A partir desses pontos nota-se claramente a relevância social da televisão
uma vez que ela terá uma função formadora de aprendizagem nas crianças. Observa-se também que a televisão é uma poderosa força de influência sobre as pessoas (em particular às crianças) em virtude de ser um meio de comunicação com grande difusão em nossa sociedade. Por tais razões é importante obter-se o conhecimento a respeito de sua influência sobre o comportamento infantil verificando-se a possibilidade de serem benéficas ou não às crianças.

É fundamental que se exerça o controlo sobre a influência da televisão no
comportamento das crianças, buscando uma maior interacção a fim de que seja
possível estimular os pontos positivos e evitar reforçar os aspectos negativos, pois
poderão tornar-se comprometedoras do desenvolvimento saudável da criança.

Segundo Maccoby, muitas crianças tendem a imitar o que tem em seu ambiente, eles denominaram tais factores de “imitação selectiva” onde se observa a susceptibilidade da criança em seguir ordens de determinado meio de comunicação, no caso a televisão. Na maioria das vezes a criança tem tendência a incorporar o que vê na televisão como se fosse algo que faz parte de sua vida, ou seja, não diferencia, o real do imaginário.


Barry garante que as crianças entre 04 e 07 anos de idade tendem a
se concentrar nos adultos que são importantes para elas, imitando-lhes falas,
movimentos e ideias. O que é importante ressaltar, segundo o autor, será aorientação dada aos pais (e por consequência aos educadores que acompanham as crianças) a respeito de quais os estímulos que a televisão apresenta para as
crianças que são considerados os mais adequados para serem reforçados aos seus filhos.

O mesmo valerá ao contrário, onde os estímulos pouco valorizados
repassados pela televisão não tenham chance de prejudicá-las, ou seja, não
deverão ser reforçados ou valorizados, o que possivelmente ocasionaria um menor efeito nocivo ás crianças.


Bandura já demonstrava em suas pesquisas que as
crianças de cinco a sete anos de idade modelam seus comportamentos em função
do que assistem na televisão. Assim sendo, se for algo violento, é provável que
adoptem esse comportamento ou, se for algo que incite violência, é provável que
adoptem um comportamento não violento logo após o programa.


A respeito das mensagens da televisão sobre as crianças, Rezende através de estudo de casos observou que as crianças poderão seguir os exemplos de mensagens pouco claras e desordenadas da televisão e, portanto obterem uma
compreensão incorrecta ou equivocada a respeito da mensagem. Segundo ela as crianças tendem a procurar mais a mensagem de um programa, ou seja, aquilo que a televisão terá para ensiná-lo

Barry ressalta ainda a questão dos limites que é quando as crianças
extremamente influenciadas pelas mensagens da televisão buscam satisfazer as
necessidades que os comerciais lhes ensinam ser de grande necessidade (pode ser algum brinquedo do comercial, ou as roupas de algum personagem, ou ainda

produtos considerados motivadores pelas crianças como doces, chocolates, etc.).
Neste caso a melhor alternativa mais uma vez será pelo acompanhamento da
criança por parte dos pais, discutindo o assunto e deixando sempre bem claro os
motivos de não poder seguir um determinado roteiro imposto pela televisão por
vários motivos: como falta de dinheiro, pouca necessidade do produto, etc.

Barry ressalta ainda que as crianças deverão ter muito bem estabelecidas as horas que poderão ser dedicadas para assistir a televisão. Uma vez estabelecidos esses limites deve-se sempre levar em consideração o “tempo
familiar” dentro do tempo da criança de assistir seus programas, ou seja, a família
assistindo juntos um programa. Terá que ser sempre um momento de discutir ou
trocar ideias sobre os temas (desporto, desenhos animados ou novelas). Desse modo a televisão passa a ser uma experiência compartilhada por toda a família.

 Katya Samuel




domingo, 1 de maio de 2011

Vida sexual do casal após o nascimento dos filhos



Após o nascimento muita coisa muda tal como a vida sexual. Como superar; com fazê-lo sem que os filhos se apercebam? A maternidade inibe o prazer sexual?


Para um melhor esclarecimento deste tema prefiro enquadrar a vida sexual do casal após o nascimento dos filhos, dentro da sexologia e na terapia de casal. Agora, para esclarecer os nossos leitores, convém começarmos por definir o que se entende por sexologia que é uma área de conhecimento nova que trata do comportamento social e talvez importe também referir que a sexologia atende questões como a saúde sexual, disfunções, desvios etc.

Voltando ao nosso tema, podemos dizer que a partir do momento em que um casal decide ter filhos deve, desde já, saber que este facto, novo e gratificante irá afectar a sua vida sexual. Ou seja, a maternidade pode sim, inibir o prazer sexual. Isso poderá começar, inclusivamente na fase da gravidez, onde a mãe, devido as hormonas que vão mudando, vai também manifestando enjoos, irritação o que, como é lógico, vai e pode afectar a vida sexual do casal. Mas o pior acontece mesmo na fase pós-parto. Lembremo-nos que nesta fase a mãe, contrariamente ao homem, tem tantas tarefas como amamentar o bebé, mudar as fraldas, acordar à noite, que, por vezes, nem sequer lhe passa pela cabeça que tem de fazer sexo. Isso não é só aqui. Fez-se um estudo na Universidade Central Lancashire, em Inglaterra, onde se viu que cerca de 44 por cento das mulheres com um relacionamento conjugal, e uma idade média de 33 anos, reconhece não sentir uma vontade forte de manter relações sexuais frequentes com o marido. Portanto, são as tarefas, o cansaço as causas que levam a mulher a ter pouco entusiasmo com o sexo.

Como superar a situação?

Um primeiro passo, de acordo com alguns terapeutas, psicólogos clínicos e sexólogos e, tal como recomenda a terapia familiar, é de os pais conversarem sobre isso, ou seja, sobre o facto de que o nascimento de um filho pode trazer alterações na relação do casal. Estudos mostram que quando há filhos pequenos, a tendência dos pais é centralizarem-se mais no papel de pai e mãe, passando para o segundo plano o papel de marido e mulher. Então, é necessário conversar-se sobre isso e sobre o facto de que os pais devem estar preparados para a vida a três, a quatro, cinco, etc. O segundo passo, consiste em o casal consciencializar-se de que, não são apenas os filhos que concorrem para esta situação, pois a própria sociedade não ajuda muito nesta matéria, sobretudo a vida profissional intensa. “A vida profissional é hoje muito intensa, problemática. Mesmo sem filhos, os casais têm cada vez menos disponibilidade mental para o sexo e toda a gente sabe que um cérebro esgotado não é amigo da sexualidade”. “Não há espaço para a fantasia. O cansaço não deixa chegar aí. Portanto, há que ter consciência do perigo de deslizamento para a apatia e lutar contra ela, desde o início da relação.


Estratégias

A primeira estratégia para inverter a situação pode ser mais simples do que se julga: meter o filho ou filhos fora do quarto e fechar a porta do quarto do casal. “Evita a surpresa desagradável de ser surpreendido pelos miúdos.” Porque não tirar uns momentos a dois? José Pacheco salienta que o importante é perder a preguiça. “O casal deve organizar-se de modo a que, de vez em quando, consiga estar sozinho.” Para o sexólogo, este tempo a dois não é, obrigatoriamente, sinónimo de grandes planos ou grandes viagens. “Até podem ficar em casa, mas devem fazer qualquer coisa romântica e de descoberta do outro”,. Outra estratégia pode ser a acção de planear as relações sexuais a ter durante a semana, mês ou ano, pois está mais que provado que nestas circunstâncias nem sempre a espontaneidade funciona. As pessoas estão cansadas e logo depois de consumado o acto podem ficar frustradas, então convém planear (talvez nos fins-de-semana Por último temos que desmitificar o papel do sexo na vida do casal e abordá-lo numa perspectiva de sexualidade. Se todos concordam que a intimidade é importante para manter uma relação conjugal saudável, quando se fala do acto sexual, em si mesmo, os pareceres não são tão consensuais. “Hoje há essa ideia de que um casal, para ser feliz, precisa de ter uma vida sexual intensíssima. Não é bem assim”, garante José Pacheco. “Há casais em que a felicidade está mais centrada na parte sexual e noutros nem por isso, passando por outros aspectos. É claro que os problemas surgem quando existem desequilíbrios entre os elementos.” Daí a necessidade da existência da comunicação, pois sem ela um não sabe das expectativas do outro. Depois, não se pode tornar a sexualidade uma obrigação: “Senão corre o sério risco de deixar de ser um momento de prazer, para ser mais uma tarefa de agenda.” Feitas as contas, parece que não são os filhos os maiores inimigos da vida sexual dos pais. São eles mesmos, quando não percebem que, embora o tempo não volte para trás, as coisas podem ser tão boas como dantes. Basta um pouco de desejo e imaginação


Katya Samuel

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Janela Aberta-Preservação da identidade cultural nos hábitos e costumes tradicionais na formação da personalidade( Temas do Programa Janela Aberta, TPA1)


A globalização é um fenómeno que está a invadir o mundo inteiro. Ninguém pode, e mesmo que queira, ficar indiferente às mudanças provocadas pelo vento deste fenómeno.
Angola, tal como em outros países do resto do planeta, tem recebido inúmeros estrangeiros e, por conseguinte ,têm-se instalado de forma positiva e negativa na sociedade angolana. Segundo um psicoterapeuta Familiar, McGoldrick, nós vemos o mundo através dos nossos filtros culturais e, muitas vezes, persistimos em nossas opiniões estabelecidas. Isto quer dizer que, no aspecto positivo, temos a destacar o somatório de valores, conhecimentos e operações de pensamento e a possibilidade de mudança de comportamento o que por sua vez, nos permite termos uma mente mais aberta face às vicissitudes da vida. No que toca aos aspectos negativos, a nível de Angola, ela tem entrado sem travão e deixando muitos angolanos com crise de identidade cultural.
Atendo a todos estes factos, a produção do Janela Aberta resolveu lançar um debate sobre os temas que se seguem abaixo onde fui convidada como psicóloga Clínica para discutirmos sobre a temática. Em primeiro lugar, agradeço a Deus, à minha família e os meus amigos; Em segundo, a direcção do programa Janela Aberta , Apresentador e a Ruth Ana, que foram muito amáveis comigo, pois era a minha primeira vez a enfrentar as câmaras e, felizmente, tudo correu às mil maravilhas.

J. Aberta-.Preservação da identidade cultural nos hábitos e costumes tradicionais na formação da personalidade.


Kat Samuel-Antes de começar a minha intervenção, gostaria, para nos entendermos da melhor maneira, e também para dar um carácter lógico ao meu raciocínio, definir alguns conceitos como o de identidade cultural, hábito e costumes, formação da personalidade e, só depois vou procurar demonstrar como a preservação da identidade cultural assente nos hábitos e costumes tradicionais permite formar a personalidade do indivíduo. Bem, podemos entender por identidade cultural como os aspectos relacionados com a nossa pertença a culturas étnicas, raciais, linguísticas, religiosas, regionais e/ou nacionais. Por hábitos e costumes, entende-se como o comportamento regular e normal de uma pessoa em relação às suas necessidades, às suas reacções ou a sentimentos. Agora, se partirmos do princípio de que a personalidade consiste nas características psicológicas que determinam a individualidade pessoal ou social, ou seja, a forma específica de pensar e de agir de cada um, torna-se fácil compreender como é que a identidade cultural baseada nos hábitos e costumes permite formar a personalidade das pessoas em geral e angolanas em particular. (dá exemplos de hábitos como, por exemplo, respeitar os mais velhos, andar no autocarro e dar lugar à mulheres; costumes como regras sociais que implicam a sua obrigatoriedade; por exemplo, o alembamento é um costume, pois implica a sua obrigatoriedade no nosso país, ou seja, hoje ninguém pode pretender alguém sem passar por esse costume. Então, como se pode ver os hábitos e os costumes assim que as pessoas se vão desenvolvimento vão assimilando as mesmas e, influir na sua personalidade e isso forma a nossa identidade como angolanos

J. Aberta-.Como se vive com diferenças culturais? Como se procede juridicamente quando se está diante da lei tradicional e moderna.

Kat Samuel -Antes de mais e tal como fiz na primeira questão é importante definirmos o que é a cultura. A cultura, de acordo com vários autores compreende os conhecimentos, as crenças, o direito, os costumes e outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade. Ressalta-se, aqui, a capacidade humana de poder adquirir, como ser social, aspectos que tocam a vida social, cultural e psicológica. É claro que numa sociedade existem diferenças culturais, pois não há sociedade monoculutrias e mais agora que estamos num mundo globalizado. Para se viver num meio social caracterizado por diferenças culturais temos que ser tolerantes e sabermos viver dentro da interculturalidade e multiculturalidade. Agora, como devemos proceder quando estamos diante da lei tradicional? Bem, a lei tradicional que não é nada mais que os costumes implantados nestas sociedades têm as suas próprias instituições onde, por exemplo, os sobas e os sekulus das aldeias exercem o seu poder em casos como da feitiçaria, roubo de gado etc. e no caso da lei moderna temos as instituições do Estado que permitem lidar com esses problemas .

3.União de facto no tradicional e no casamento moderno

Bem, quanto a esta questão penso não haver muita dificuldade, porque todos sabem o que é o casamento tradicional e o casamento moderno. Por isso, vou-me referir apenas a dois aspectos. O primeiro é que hoje, em dia na nossa sociedade, há uma relação muito estreita entre os dois. Por exemplo, o alembamento faz parte do casamento tradicional mas que foi incorporado na sociedade moderna e hoje em dia, conforme a nossa identidade cultural, é um dos elementos que permitem avançar o casamento moderno. Em segundo lugar, queria falar da fragilidade do casamento tradicional e aqui queria alertar para as mulheres não ficarem apenas aí como aquele caso que se deu em que uma senhora estava no “bem bom2 a viver com o seu “marido”, teve filhos e, um dia o marido decidiu casar com outra e ela nada pôde fazer já que não tinha um laço juridcamente aceite com o homem.
J. Berta-As diferenças culturais marcaram e continuam a marcar a relação entre os povo na positiva e na negativa.
Kat Samuel-Na negativa, basta falarmos do racismo e de todos os problemas que dele derivaram na conquista dos povos e dominação dos mesmos, como aconteceu cá, em Angola, durante o regime colonial. Pela positiva, porque hoje se fala muito dos direitos humanos, que assentam no princípio de que todos os seres humanos têm direitos inalienáveis, e que é necessário defender a todo o custo.
Os principais domínios dos direitos humanos são os seguintes: a) direitos de primeira geração (direitos cívicos e políticos), que dizem respeitam à liberdade de pensamento, consciência, religião, igualdade perante a lei, etc. ; b) direitos de segunda geração (direitos económicos) relativos ao direito ao trabalho, habitação, saúde, etc., e, c) direitos da terceira geração) (direitos dos povos ou culturais). Estes direitos estão mais próximos dos problemas interculturais, pois dizem respeito aos direitos contra a discriminação da mulher, o racismo, o etnocentrismo ocidental, ou outras formas de hegemonia cultural. Os mesmos apelam pelo respeito das minorias étnicas, sexuais e religiosas, pela multiculturalidade, e pelo direito à paz.

Kat Samuel-Antes de começar a minha intervenção, gostaria, para nos entendermos da melhor maneira, e também para dar um carácter lógico ao meu raciocínio, definir alguns conceitos como o de identidade cultural, hábito e costumes, formação da personalidade e, só depois vou procurar demonstrar como a preservação da identidade cultural assente nos hábitos e costumes tradicionais permite formar a personalidade do indivíduo. Bem, podemos entender por identidade cultural como os aspectos relacionados com a nossa pertença a culturas étnicas, raciais, linguísticas, religiosas, regionais e/ou nacionais. Por hábitos e costumes, entende-se como o comportamento regular e normal de uma pessoa em relação às suas necessidades, às suas reacções ou a sentimentos. Agora, se partirmos do princípio de que a personalidade consiste nas características psicológicas que determinam a individualidade pessoal ou social, ou seja, a forma específica de pensar e de agir de cada um, torna-se fácil compreender como é que a identidade cultural baseada nos hábitos e costumes permite formar a personalidade das pessoas em geral e angolanas em particular. (dá exemplos de hábitos como, por exemplo, respeitar os mais velhos, andar no autocarro e dar lugar à mulheres; costumes como regras sociais que implicam a sua obrigatoriedade; por exemplo, o alembamento é um costume, pois implica a sua obrigatoriedade no nosso país, ou seja, hoje ninguém pode pretender alguém sem passar por esse costume. Então, como se pode ver os hábitos e os costumes assim que as pessoas se vão desenvolvimento vão assimilando as mesmas e, influir na sua personalidade e isso forma a nossa identidade como angolanos

J. Aberta-.Como se vive com diferenças culturais? Como se procede juridicamente quando se está diante da lei tradicional e moderna.

Kat Samuel -Antes de mais e tal como fiz na primeira questão é importante definirmos o que é a cultura. A cultura, de acordo com vários autores compreende os conhecimentos, as crenças, o direito, os costumes e outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade. Ressalta-se, aqui, a capacidade humana de poder adquirir, como ser social, aspectos que tocam a vida social, cultural e psicológica. É claro que numa sociedade existem diferenças culturais, pois não há sociedade monoculutrias e mais agora que estamos num mundo globalizado. Para se viver num meio social caracterizado por diferenças culturais temos que ser tolerantes e sabermos viver dentro da interculturalidade e multiculturalidade. Agora, como devemos proceder quando estamos diante da lei tradicional? Bem, a lei tradicional que não é nada mais que os costumes implantados nestas sociedades têm as suas próprias instituições onde, por exemplo, os sobas e os sekulus das aldeias exercem o seu poder em casos como da feitiçaria, roubo de gado etc. e no caso da lei moderna temos as instituições do Estado que permitem lidar com esses problemas .


3.União de facto no tradicional e no casamento moderno

Bem, quanto a esta questão penso não haver muita dificuldade, porque todos sabem o que é o casamento tradicional e o casamento moderno. Por isso, vou-me referir apenas a dois aspectos. O primeiro é que hoje, em dia na nossa sociedade, há uma relação muito estreita entre os dois. Por exemplo, o alembamento faz parte do casamento tradicional mas que foi incorporado na sociedade moderna e hoje em dia, conforme a nossa identidade cultural, é um dos elementos que permitem avançar o casamento moderno. Em segundo lugar, queria falar da fragilidade do casamento tradicional e aqui queria alertar para as mulheres não ficarem apenas aí como aquele caso que se deu em que uma senhora estava no “bem bom2 a viver com o seu “marido”, teve filhos e, um dia o marido decidiu casar com outra e ela nada pôde fazer já que não tinha um laço juridcamente aceite com o homem.


J. Berta-As diferenças culturais marcaram e continuam a marcar a relação entre os povo na positiva e na negativa.
Kat Samuel-Na negativa, basta falarmos do racismo e de todos os problemas que dele derivaram na conquista dos povos e dominação dos mesmos, como aconteceu cá, em Angola, durante o regime colonial. Pela positiva, porque hoje se fala muito dos direitos humanos, que assentam no princípio de que todos os seres humanos têm direitos inalienáveis, e que é necessário defender a todo o custo.


Os principais domínios dos direitos humanos são os seguintes: a) direitos de primeira geração (direitos cívicos e políticos), que dizem respeitam à liberdade de pensamento, consciência, religião, igualdade perante a lei, etc. ; b) direitos de segunda geração (direitos económicos) relativos ao direito ao trabalho, habitação, saúde, etc., e, c) direitos da terceira geração) (direitos dos povos ou culturais). Estes direitos estão mais próximos dos problemas interculturais, pois dizem respeito aos direitos contra a discriminação da mulher, o racismo, o etnocentrismo ocidental, ou outras formas de hegemonia cultural. Os mesmos apelam pelo respeito das minorias étnicas, sexuais e religiosas, pela multiculturalidade, e pelo direito à paz.

Katya Samuel