Vida sexual do casal após o nascimento dos filhos



Após o nascimento muita coisa muda tal como a vida sexual. Como superar; com fazê-lo sem que os filhos se apercebam? A maternidade inibe o prazer sexual?


Para um melhor esclarecimento deste tema prefiro enquadrar a vida sexual do casal após o nascimento dos filhos, dentro da sexologia e na terapia de casal. Agora, para esclarecer os nossos leitores, convém começarmos por definir o que se entende por sexologia que é uma área de conhecimento nova que trata do comportamento social e talvez importe também referir que a sexologia atende questões como a saúde sexual, disfunções, desvios etc.

Voltando ao nosso tema, podemos dizer que a partir do momento em que um casal decide ter filhos deve, desde já, saber que este facto, novo e gratificante irá afectar a sua vida sexual. Ou seja, a maternidade pode sim, inibir o prazer sexual. Isso poderá começar, inclusivamente na fase da gravidez, onde a mãe, devido as hormonas que vão mudando, vai também manifestando enjoos, irritação o que, como é lógico, vai e pode afectar a vida sexual do casal. Mas o pior acontece mesmo na fase pós-parto. Lembremo-nos que nesta fase a mãe, contrariamente ao homem, tem tantas tarefas como amamentar o bebé, mudar as fraldas, acordar à noite, que, por vezes, nem sequer lhe passa pela cabeça que tem de fazer sexo. Isso não é só aqui. Fez-se um estudo na Universidade Central Lancashire, em Inglaterra, onde se viu que cerca de 44 por cento das mulheres com um relacionamento conjugal, e uma idade média de 33 anos, reconhece não sentir uma vontade forte de manter relações sexuais frequentes com o marido. Portanto, são as tarefas, o cansaço as causas que levam a mulher a ter pouco entusiasmo com o sexo.

Como superar a situação?

Um primeiro passo, de acordo com alguns terapeutas, psicólogos clínicos e sexólogos e, tal como recomenda a terapia familiar, é de os pais conversarem sobre isso, ou seja, sobre o facto de que o nascimento de um filho pode trazer alterações na relação do casal. Estudos mostram que quando há filhos pequenos, a tendência dos pais é centralizarem-se mais no papel de pai e mãe, passando para o segundo plano o papel de marido e mulher. Então, é necessário conversar-se sobre isso e sobre o facto de que os pais devem estar preparados para a vida a três, a quatro, cinco, etc. O segundo passo, consiste em o casal consciencializar-se de que, não são apenas os filhos que concorrem para esta situação, pois a própria sociedade não ajuda muito nesta matéria, sobretudo a vida profissional intensa. “A vida profissional é hoje muito intensa, problemática. Mesmo sem filhos, os casais têm cada vez menos disponibilidade mental para o sexo e toda a gente sabe que um cérebro esgotado não é amigo da sexualidade”. “Não há espaço para a fantasia. O cansaço não deixa chegar aí. Portanto, há que ter consciência do perigo de deslizamento para a apatia e lutar contra ela, desde o início da relação.


Estratégias

A primeira estratégia para inverter a situação pode ser mais simples do que se julga: meter o filho ou filhos fora do quarto e fechar a porta do quarto do casal. “Evita a surpresa desagradável de ser surpreendido pelos miúdos.” Porque não tirar uns momentos a dois? José Pacheco salienta que o importante é perder a preguiça. “O casal deve organizar-se de modo a que, de vez em quando, consiga estar sozinho.” Para o sexólogo, este tempo a dois não é, obrigatoriamente, sinónimo de grandes planos ou grandes viagens. “Até podem ficar em casa, mas devem fazer qualquer coisa romântica e de descoberta do outro”,. Outra estratégia pode ser a acção de planear as relações sexuais a ter durante a semana, mês ou ano, pois está mais que provado que nestas circunstâncias nem sempre a espontaneidade funciona. As pessoas estão cansadas e logo depois de consumado o acto podem ficar frustradas, então convém planear (talvez nos fins-de-semana Por último temos que desmitificar o papel do sexo na vida do casal e abordá-lo numa perspectiva de sexualidade. Se todos concordam que a intimidade é importante para manter uma relação conjugal saudável, quando se fala do acto sexual, em si mesmo, os pareceres não são tão consensuais. “Hoje há essa ideia de que um casal, para ser feliz, precisa de ter uma vida sexual intensíssima. Não é bem assim”, garante José Pacheco. “Há casais em que a felicidade está mais centrada na parte sexual e noutros nem por isso, passando por outros aspectos. É claro que os problemas surgem quando existem desequilíbrios entre os elementos.” Daí a necessidade da existência da comunicação, pois sem ela um não sabe das expectativas do outro. Depois, não se pode tornar a sexualidade uma obrigação: “Senão corre o sério risco de deixar de ser um momento de prazer, para ser mais uma tarefa de agenda.” Feitas as contas, parece que não são os filhos os maiores inimigos da vida sexual dos pais. São eles mesmos, quando não percebem que, embora o tempo não volte para trás, as coisas podem ser tão boas como dantes. Basta um pouco de desejo e imaginação


Katya Samuel

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