Às Noites Mágicas de Luanda

















O telefone tocou vária vezes por volta das 11 horas da manhã, quando me preparava para ir à faculdade. Normalmente, às sextas-feiras como prenúncio do fim-de-semana, o telefone toca mais do que o normal.
Geralmente, as pessoas amigas ligam mais às sextas-feiras para combinarmos alguma coisa para o fim-de-semana. Nesse dia,  a pessoa  que  estava do outro lado da linha era o Paulo Fernandes, o rapaz  de quem eu gosto muito de nacionalidade portuguesa!
 
Estive ao ponto de lhe dizer que não queria sair de casa, mas quando a noite chegou fiquei deitada na cama, a olhar para o tecto do meu quarto sem fazer nada de especial. Diante de tanto tédio, senti-me incapaz de recusar o convite do Paulo. Ficou combinado que iríamos “cair na noite”, bebermos uns copos em alguns bares, pubs e discotecas de Luanda. Combinei com o Paulo que me fosse apanhar em casa às 23 horas. Eu usava tranças longas até à cintura, pesava não mais que 45 quilos, vestia uma minissaia justa e sapatos de salto altos a condizerem com a mala que eu carregava entre os braços.

Na verdade, não sabíamos ao certo aonde iríamos; o que sabíamos era que, no final de tudo, querendo ou não, acabaríamos sempre por ir à baixa de Luanda.
Luanda, durante a noite, consegue exprimir o seu esplendor, que encanta os luandenses e os estrangeiros com sua majestosa magia, que enfeitiça os seus habitantes. Feliz ou infelizmente, ninguém consegue resistir a este encanto.

É assim a noite na cidade da Kianda: quando a noite chega com a sua beleza, acaba por afogar o que durante o dia não se pode esconder, como a poluição sonora, o lixo, o trânsito e outras coisas mais.
Luanda à noite parece uma grande cidade europeia. Isso, no que diz respeito à diversão nocturna. A falar a verdade, não temos razões de queixa. Resolvemos ir à Baixa de Luanda mais propriamente na Mutamba.
É lá onde existem vários restaurantes, bares, discotecas e pub´s. Logo à entrada da Mutamba, isto é, na paragem dos autocarros junto do Ministério das Finanças, começámos a deparar-nos com moças, algumas bem vestidas, outras nem por isso, na berma da estrada. O quadro era o mesmo mais abaixo para quem vai à Ilha, passando pela nossa linda Chicala, onde estão situados uns dos melhores restaurantes do país.
Ao fazermos a curva, antes de chegarmos ao clube Náutico de Luanda, vimos várias moças a fazerem sinal para os carros parem. Uns paravam de facto, mas outros continuavam, tal como nós, com a sua rota.
Via-se de tudo uma pouco: Moças a exibirem-se às portas dos restaurantes, nos bares de praia e nos pub. Era mais frequentes verem-se moças a saírem com estrangeiros, na sua maioria de raça branca. Na verdade, nem todas as moças que estavam ali com brancos eram profissionais do sexo.

O que mais me impressionou foi o comportamento delas. Talvez pelo facto de ser estudante de psicologia. Em cada esquina, ouviam-se moças a discutirem por causa dos homens que elas diziam ter angariado primeiro. Depararmo-nos com toda esta paisagem, na Chicala, à entrada da ilha, mais concretamente na rotunda onde fica situado o restaurante chinês e uma mini maratona, onde algumas mulheres vendiam pinchos, cervejas e cachorros. Apesar de ser uma zona de elite, este sítio é mais frequentados por pessoas de baixa renda. Depois deste mini passeio, decidimos então irmos ao Palos, um dos Pub mais conceituados da Baixa de Luanda e mais frequentado por estrangeiros.

Logo a entrada, vimos uma grande agitação: moças a caçarem homens, de preferência brancos, meninos de rua (muitos deles bandidos) atrás dos donos de carros para tomarem conta dos mesmos. Era um cenário triste. Infelizmente, o Palos só permite a entrada de mulatas e brancas, impedindo assim a entrada de moças negras, por, segundo as desculpas esfarrapadas dos porteiros, as negras serem confusionistas, o que não abona para o bom nome do estabelecimento. E, como tal, não deixam entrar moças com reputação duvidosa. Será que todas as negras têm reputação duvidosas, ou seja, são prostitutas?

Bem, apesar disso, a verdade foi que conseguimos entrar. Talvez por sorte, ou pelo facto de um dos meus amigos conhecer o dono do tal estabelecimento. Ao entrarmos, à direita estava o barman. Viam-se pessoas de diversas nacionalidades, tal como espanhóis, portugueses, franceses, italianos, americanos e outros.
Uns estavam ali para se divertirem, outros para os engates. As moças angolanas mais extrovertidas conseguiam sempre agarrar alguém. O mesmo sucedia com os homens Os que não conseguiam engatar dentro do Pub, tinham a hipótese de arranjar alguém logo a saída, pois, algumas moças estavam à espera de homens a dois metro de distância da entrada, já que haviam sido proibidas de entrar. Estas, assim que vissem um moço a sair do Pub, corriam logo para ele. Em muito dos casos, os homens caiam por estarem bêbados e elas sabiam aproveitar-se dessa situação.

É este o cenário de quase todos os bares, pub, restaurantes e discotecas da cidade de Luanda. Era como se as pessoas deixassem de acreditar que a vida acabaria mesmo ali e que não haveria mais nenhum amanhã.

Um abraço de luz!

Katya Samuel





Comentários

Serge disse…
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Katya Samuel disse…
Hey Serge, Thanks you for help.
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